Purpose...
"Há muitos barcos para muitos portos, mas nenhum para a vida não doer, nem há desembarques onde se esqueça (...). Em dias de alma como hoje eu sinto bem, em toda a consciência do meu corpo, que sou a criança triste em que a vida bateu. Puseram-me a um canto do onde se ouve brincar. Sinto nas mãos o brinquedo partido que me deram por uma ironia de lata. Hoje, (...), a minha vida sabe a valer isto. (...) ardem-me os olhos, de ter pensado em chorar. Dói-me a vida aos poucos, a goles, por interstícios (...)." (FP)
a nossa noite perfeita (god I love you.... but you trouble me)
(E não faças essa cara, este, é o nosso segredo!)
Ingredientes:
Eu
Tu
Preparação:
Me: Would you like to go out tonight? It's a lovely night to go to the Odeon; sit in the back row. Sick of staying in...
So we threw on some clothes, walked slowly down the street, lit by lantern light, through the market square, studied the marquee, bought two tickets and some popcorn. And on the screen the hero stands, the female lead, hand in hand, and says: "God I love you,but you trouble me."
She pushes him away.
And as the credits role, I turned to You, I said:
Eu: What did ya think???
Tu: It was okay, I guess.That story is pretty old. It's a bit cliché and hackneyed, I thought; I thought.
And back out on the street we stopped for some ice cream. Talking quietly, there was nobody in the room in which we sat, as I reached across the table. And just as Our fingers caught, timidly, I whisper:
Eu: God I love you, but you trouble me.
Ingredientes:
Eu
Tu
Preparação:
Me: Would you like to go out tonight? It's a lovely night to go to the Odeon; sit in the back row. Sick of staying in...
So we threw on some clothes, walked slowly down the street, lit by lantern light, through the market square, studied the marquee, bought two tickets and some popcorn. And on the screen the hero stands, the female lead, hand in hand, and says: "God I love you,but you trouble me."
She pushes him away.
And as the credits role, I turned to You, I said:
Eu: What did ya think???
Tu: It was okay, I guess.That story is pretty old. It's a bit cliché and hackneyed, I thought; I thought.
And back out on the street we stopped for some ice cream. Talking quietly, there was nobody in the room in which we sat, as I reached across the table. And just as Our fingers caught, timidly, I whisper:
Eu: God I love you, but you trouble me.
(inspired by Tarkio)
sonhos
Esta noite sonhei que o Bono era um elefante, e eu não me importava. Eu só queria fugir com ele, o homem elefante. Esconder-me no banco de trás do carro e beijá-lo. A mãe chamava-nos, e nós não queriamos ir. Quando nos encontraram, dissemos a chorar que estávamos a brincar.
listen to the girl
às vezes gosto de me perder a ler coisas que escrevo. já fui muitas pessoas. já foste palavra nos meus textos. foste saudade, amor, morte, sexo e vontade. a maior parte das vezes tenho preguiça de escrever, as minhas mãos são demasiado lentas para a minha cabeça, perco as minhas ideias por não as conseguir escrever... vamos conversar em slow motion, quero ver como te mexes, não estás morto pois não?
quero fazer parte de uma banda, cantar para ti, mesmo quando não estás a ouvir. raios, há mil coisas que eu quero fazer, quero sentir a vida, a vida a maior parte das vezes não se sente, mas quando se sente, vale mesmo a pena.
isto
"dizem que finjo ou minto
tudo o que escrevo. não.
eu simplesmente sinto
com a imaginação
não uso o coração." (FP)
tudo o que escrevo. não.
eu simplesmente sinto
com a imaginação
não uso o coração." (FP)
Who gives the fuck about mystery letters?
"Quero dançar contigo outra vez, é verdade. Queria comprar-te um vodka com frutos vermelhos e convidar-te para dançares comigo, uma música engraçada, nem precisava de ser uma daquelas musicas calminhas, Oxford Comma está bem. Fingíamos que estávamos nos oitenta e sorriamos enquanto o ritmo nos entrava nos ossos e nos ouvidos. Eu queria dar-te a mão às escondidas, para ninguém ver, como se tivéssemos 14 anos outra vez, queres ter 14 anos outra vez para podermos dar as mãos? Ai ai, quem sabe o que viria a seguir, um beijo roubado, um beijo corado, um risinho envergonhado de quem se sente bem. Aquela sensação no estômago... era bom!? Diz a verdade? Eu queria convidar-te para invadires os meus sonhos e me levares contigo a correr pelo bosque. Eu quero fazer muitas coisas contigo, algumas das quais eu não posso escrever neste bilhete... mas fico corada só de pensar. Podes pensar em todas estas coisas e depois, depois se quiseres fazer coisas comigo.... depois podes só enviar-me um bilhete a dizer "blueberry"? Eu não digo nada (eu sorrio só, e dou-te a mão às escondidas)."
(a Carta)
devo ser das poucas pessoas com gatos que comem rosas (?)
O que é que vais fazer com a tua vida quando perceberes que o tempo passou?
Perdida, perdida, perdida...
o melhor de sempre
clica para veres!
Sun been down for days
A pretty flower in a vase
A slipper by the fireplace
A cello lying in its case
Soon she’s down the stairs
Her morning elegance she wears
The sound of water makes her dream
Awoken by a cloud of steam
She pours a daydream in a cup
A spoon of sugar sweetens up
And she fights for her life as she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain as it pours
And she fights for her life as she goes in a store
With a thought she has caught by a thread
She pays for the bread and she goes
Nobody knows
Sun been down for days
A winter melody she plays
The thunder makes her contemplate
She hears a noise behind the gate
Perhaps a letter with a dove
Perhaps a stranger she could love
And she fights for her life as she puts on her coat
And she fights for her life on the train
Where the people are pleasantly strange
And counting the change as she goes
Nobody knows Nobody knows Nobody knows
querido diário: sou oficialmente a taradinha do cor-de-rosinha
Acordei com o sol a entrar descarado pela janela. Acordei para mais um dia de tarefas monótonas (pintar móveis, arrumar livros, encontrar coisas perdidas pela trigésima quinta vez, para as perder logo de seguida!). A tentar... a tentar organizar a minha vida atravez de toda a quinquilharia que consegui arranjar em 2 anos e qualquer coisa. Na realidade, hoje, queria apenas estar a espreitar pela janela como a senhora dos cabelos brancos que vive no prédio da frente.
crime
Eu quero cometer um crime. Quero correr riscos e sentir a adrenalina, o suspense. Eu quero ser o teu crime.
?
Os dias estão cheios de histórias, as pessoas também. Terei eu tempo para as contar todas? Dentro me mim, há muitas histórias. Dentro mim vivem 1000 pessoas diferentes todos os dias. Os dedos trabalham, trabalham sem parar mas não conseguem acompanhar o ritmo das suas vozes. Eu estou também lá, no meio da confusão de gente de que sou feita. Um dia, quem sabe, talvez eu consiga sair.
Ana-logias
A Ana é uma mulher bonita. Puta, mas bonita. Tem o corpo perfeito, as curvas perfeitas, as mamas perfeitas, o cu perfeito. Ana tem 25 anos e é uma mulher bonita e puta.
Desde os 16 anos, idade em que decidiu fugir de casa para que o pai começasse finalmente a foder a mãe em vez de a foder a ela, que se entrega a qualquer homem que a deseje. Ana acredita que isso a fará esquecer o corpo do pai em cima do seu, o cheiro do pai, a pele do pai nas suas coxas.
Ana é a mulher perfeita. A perfeita estranha com quem te cruzas na estação de comboio todas as manhãs. Tu vais trabalhar na loja de computadores, tens orgulho, não tens? Orgulho de ter um trabalho, de poderes pagar os teus jogos de computador? Quando apanhas esse comboio para ires trabalhar, a Ana apanha esse comboio para regressar a casa e aos seus demónios. A Ana não gosta dos dias, são solitários e crus, fazem-na ter memórias. A Ana só quer matar as memórias todas, por isso é que dorme com tantos homens. Se ao menos jogasses menos jogos de computador e seguisses os conselhos do teu pai, talvez te cruzasses com ela por essas noites fora. Talvez, se vivesses, conhecesses a Ana e entrasses para a sua colecção de cheiros, a sua colecção de homens. Ana vive sozinha, já te tinha dito, desde os 16. Durante o dia fuma sem parar e chora como uma criança com medo. A Ana tem medo das noites, por isso trabalha sem parar, sem parar para pensar que a sua vida é uma miséria, sem parar para dormir, os sonhos são armas que a magoam. Ana é a puta perfeita. Tu não sabes, mas fantasias com aquele corpo esguio e curvilíneo.
Ana é a mulher perfeita, aqueles cabelos longos, brilhantes, bonitos. Só não sabes que a Ana quer matar o seu corpo, a Ana não quer ter corpo, a Ana só quer ser menina sem pai.
a moment with you
"Não acaba nunca. Esqueço que esse sentimento lá está, mas é como um sonho que não acaba e que se repete todas as noites. Quero o tal ponto final. O sexo, o beijo, tudo. Quero tudo, para depois não ter de pensar mais nas coisas que poderiam ter sido mas que não foram, por culpa tua. Enlouqueço, não consigo esconder mais tempo esta vírgula sem sentido... Porque não fazes nada? Porque é que nunca fizeste nada?"
Diário, página rasgada de 2006
a minha tarde perfeita
Ingredientes:
o eu
o o meu casaco verde
o a Nikon F3 com um rolo a cores
o o MP3 recheado de tudo o que eu gosto, e mais algumas que eu estou a gostar
o 1€ para um cafézinho
o umas sapatilhas
o o chapéu à aviador
Modo de Preparar:
Visto o casaco verde, calço as sapatilhas, hoje vou andar muito. Coloco a minha F3 ao pescoço, headphones nas orelhinhas, música a bombar, e saio de casa. Desço até à estação do Estoril e vou pelo paredão até a terra acabar. Pelo caminho, tiro fotografias a coisas com que me identifico. Paro num cafézinho, talvez aquele da esquina, em Cascais, que me faz lembrar o Porto, e tomo um cafézinho. Dou umas voltinhas, click aqui e ali, loja de móveis em segunda mão, livraria... para terminar, chapéu à aviador que já é noite e esta frescote!
o eu
o o meu casaco verde
o a Nikon F3 com um rolo a cores
o o MP3 recheado de tudo o que eu gosto, e mais algumas que eu estou a gostar
o 1€ para um cafézinho
o umas sapatilhas
o o chapéu à aviador
Modo de Preparar:
Visto o casaco verde, calço as sapatilhas, hoje vou andar muito. Coloco a minha F3 ao pescoço, headphones nas orelhinhas, música a bombar, e saio de casa. Desço até à estação do Estoril e vou pelo paredão até a terra acabar. Pelo caminho, tiro fotografias a coisas com que me identifico. Paro num cafézinho, talvez aquele da esquina, em Cascais, que me faz lembrar o Porto, e tomo um cafézinho. Dou umas voltinhas, click aqui e ali, loja de móveis em segunda mão, livraria... para terminar, chapéu à aviador que já é noite e esta frescote!
old memories in a sunny afternoon
Your softly spoken words
Release my whole desire
Undenied
Totally
And so bare is my heart, I can't hide
And so where does my heart, belong
Beneath your tender touch
My senses can't divide
Ohh so strong
My desire
For so bare is my heart, I can't hide
And so where does my heart, belong
Now that I've found you
And seen behind those eyes
How can I
Carry on
For so bare is my heart, I can't hide
And so where does my heart, belong
Belong
Belong
Belong
(Portishead)
Release my whole desire
Undenied
Totally
And so bare is my heart, I can't hide
And so where does my heart, belong
Beneath your tender touch
My senses can't divide
Ohh so strong
My desire
For so bare is my heart, I can't hide
And so where does my heart, belong
Now that I've found you
And seen behind those eyes
How can I
Carry on
For so bare is my heart, I can't hide
And so where does my heart, belong
Belong
Belong
Belong
(Portishead)
Oxalá (se quiserem ouvir o que eu ando a ouvir - A Andorinha da Primavera - Madredeus!)
Quero comprar uma peruca nova! Eu costumava usar uma peruca loira, mas já não a tenho. Quero uma peruca nova! Eu vi uma de que gostei muito, acho que vou comprar! (Hum... começar um texto com "quero comprar uma peruca nova" é esquisito! Acho que o sol me está a dar a volta à cabeça, está sol!!! Dá para acreditar!? Só me apetece sorrir e mudar o mundo!)
Hoje não vou vestir-me de nenhum personagem, vou falar na primeira pessoa.
Estou já na casa nova (para quem não sabe eu mudei-me de casa!). Foi um começo complicado, 4 dias sem água quente, 7 dias sem cozinha, 10 dias sem móveis (e a somar, sabe-se lá quando iremos ter dinheiro para esses luxos)!
Está a ser uma experiência interessante, passámos de uma casa completamente mobilada para o extremo oposto - nem sequer temos sofá para nos sentarmos! Bah, assim é que é, nús e com sonhos!
Ao menos temos agora o sol para aliviar a sensação de não ter casa!
Hoje, acordei mais optimista! A cereja no topo do bolo foi mesmo a intoxicação alimentar com dores de cabeça! Foram os 4 dias mais estranhos da minha vida, dormia, acordava cansada, não tinha fome, parecia quase que a vida não valia a pena! Agora vejo o sol, bem brilhante e gordo, ao fundo do túnel! E apesar de ainda querer emagrecer uns bons 3 quilinhos, digo-vos, é bom ter vontade de comer, ter a sensação de fome!
Ai, o que é que foi que me deu! Estou estupidamente alegre, tão alegre que quase não consigo deixar de ser eu, quase não consigo entrar no mundo da fantasia que é a escrita!
Com vontade de fazer listas intermináveis de coisas que quero, acho que nunca quis tantas coisas (incluindo flores frescas e uma peruca nova!), apetece-me mudar de país e... mudar de vida! Gosto da vista da minha janela. Uma casa estilo séc XIX, amarelo antigo, portadas de madeira brancas, árvores altas, o sol a iluminar tudo, como se um quadro antigo se tratasse. Saudades desse mundo antigo que já ninguém sabe onde encontrar!
Bem, depois coloco aqui umas fotografias a mostrar a nossa nova toca (desta vez não vou dar mão de uma secretária só para mim, livre de computadores, com um candeeiro de vidro e folhas para escrever... preciso do meu canto da escrita!).
Se quiserem ir espreitando o antes e o depois desta aventura de comprar casa vão a -www.queridocompramoscasa.blogspot.com - assim sempre podem rir-se da nossa caricata situação!
Maria, Maria... isto não é um diário!
Hoje não vou vestir-me de nenhum personagem, vou falar na primeira pessoa.
Estou já na casa nova (para quem não sabe eu mudei-me de casa!). Foi um começo complicado, 4 dias sem água quente, 7 dias sem cozinha, 10 dias sem móveis (e a somar, sabe-se lá quando iremos ter dinheiro para esses luxos)!
Está a ser uma experiência interessante, passámos de uma casa completamente mobilada para o extremo oposto - nem sequer temos sofá para nos sentarmos! Bah, assim é que é, nús e com sonhos!
Ao menos temos agora o sol para aliviar a sensação de não ter casa!
Hoje, acordei mais optimista! A cereja no topo do bolo foi mesmo a intoxicação alimentar com dores de cabeça! Foram os 4 dias mais estranhos da minha vida, dormia, acordava cansada, não tinha fome, parecia quase que a vida não valia a pena! Agora vejo o sol, bem brilhante e gordo, ao fundo do túnel! E apesar de ainda querer emagrecer uns bons 3 quilinhos, digo-vos, é bom ter vontade de comer, ter a sensação de fome!
Ai, o que é que foi que me deu! Estou estupidamente alegre, tão alegre que quase não consigo deixar de ser eu, quase não consigo entrar no mundo da fantasia que é a escrita!
Com vontade de fazer listas intermináveis de coisas que quero, acho que nunca quis tantas coisas (incluindo flores frescas e uma peruca nova!), apetece-me mudar de país e... mudar de vida! Gosto da vista da minha janela. Uma casa estilo séc XIX, amarelo antigo, portadas de madeira brancas, árvores altas, o sol a iluminar tudo, como se um quadro antigo se tratasse. Saudades desse mundo antigo que já ninguém sabe onde encontrar!
Bem, depois coloco aqui umas fotografias a mostrar a nossa nova toca (desta vez não vou dar mão de uma secretária só para mim, livre de computadores, com um candeeiro de vidro e folhas para escrever... preciso do meu canto da escrita!).
Se quiserem ir espreitando o antes e o depois desta aventura de comprar casa vão a -www.queridocompramoscasa.blogspot.com - assim sempre podem rir-se da nossa caricata situação!
Maria, Maria... isto não é um diário!
o risco de não ter casa
mudámos de casa. mudar de casa é sempre complicado, é como mudar de país. tens de voltar a escolher lugares onde te sentes bem para escrever, redescobrir onde cada coisa deve ficar... é muito complicado tudo isso. sinto que agora não tenho mesmo casa. é muito estranho, sou uma espécie de sem abrigo que vive dentro de uma casa que não conhece...
escrito num pacote de açucar
Gostei de te encontrar debruçado na varanda a descascar rebuçados. Tinhas as bochechas de antigamente, rosadas e infantis, aquele ar malandro, o olhar meigo... tanto tempo, quase não me lembrava de ti. Chamas-te por mim, uma, talvez duas vezes, só então te vi. Queria ter sussurrado segredos e coisas malandras, mas limitei-me a sorrir e a acenar-te. Ah, como ainda vives nas paredes do meu quarto, à noite, escondido no escuro, sussurrando palavras de amor, e eu a adormecer com sorrisos gigantes naquele calor imenso que era a nossa vida, que era o mundo.
Sei que são desejos impossíveis, as memórias que restam são vagas.
Saudades das noites de Verão.
Carta (parte II)
Bebi demasiado chá, não me estou a sentir muito bem, mas a carta tem de continuar para a poder colocar amanhã de manhã bem cedo no correio. Vou usar daqueles envelopes que têm o maravilhoso frame azul e vermelho! São os meus favoritos!
Percebi finalmente que quando deixamos de ter quem nos mande para cama ou quem nos obrigue a comer bróculos (obriguem-me, eu adoro!9, deixamos de ser tão activos. Preciso de uma guerra qualquer, por favor, desafiem-me num duelo de morte!
Querido amigo, sinto que estou numa história de crianças mas as coisas não parecem fazer sentido, e eu tento, acredita, tento não deixar de ver aquela linda árvore amarela lá ao fundo, sim, a amarela, mas tudo indica que ela é verde. Tudo equivale a X. E eu tenho sonhos de ruas inclinadas, bons dias, o café, o caderno com rabiscos. Às vezes não consigo falar dos meus sentimentos. Consigo mascará-los de formigas e fazê-los desfilar diante de uma manada de papa-formigas sem os bichos perceberem que ali têm um belo banquete animal... (disperso-me?)
Estou a reaprender a comunicar, é mais difícil do que eu me lembrava, é sempre mais fácil vestir-me de qualquer coisa e fingir que esta não sou eu, eu sou aquela que está esparramada em meia dúzia de linhas e que tem a vida mais fascinante alguma vez vista (sim, comeu mangas no Cambodja e...).
Aqui estou, sem o meu sofá verde, os telhados das minhas aventuras, as janelas, o rádio que tocava sem parar... Onde tenho estado eu ao longo de todo este tempo? Sentada cá atrás a ver e sem perceber estes nós que se formaram à minha volta. Tenho saudades das coisas mais simples.
Quero recuperar essa fascinação e... e viver finalmente como sempre gostei! Vou colocar esta carta dentro de um envelope e enviar-ta, perdoa-me, meu querido, querido amigo, é um esquisso amargo de quem dá os primeiros passos no caminho de regresso à estrada principal!
Não tenho um cão, nem esse cão que não tenho tem cão... e os dias não são sempre uma montanha russa com túneis secretos, às vezes os meus chinelos podem incomodar, porque são os mesmos todos os dias, mas e depois?
Quando quiseres, diz-me, e vamos desenhar esse café.
E, e fica prometido... outras cartas chegarão!
Um abraço apertado, deste lado do mundo
Percebi finalmente que quando deixamos de ter quem nos mande para cama ou quem nos obrigue a comer bróculos (obriguem-me, eu adoro!9, deixamos de ser tão activos. Preciso de uma guerra qualquer, por favor, desafiem-me num duelo de morte!
Querido amigo, sinto que estou numa história de crianças mas as coisas não parecem fazer sentido, e eu tento, acredita, tento não deixar de ver aquela linda árvore amarela lá ao fundo, sim, a amarela, mas tudo indica que ela é verde. Tudo equivale a X. E eu tenho sonhos de ruas inclinadas, bons dias, o café, o caderno com rabiscos. Às vezes não consigo falar dos meus sentimentos. Consigo mascará-los de formigas e fazê-los desfilar diante de uma manada de papa-formigas sem os bichos perceberem que ali têm um belo banquete animal... (disperso-me?)
Estou a reaprender a comunicar, é mais difícil do que eu me lembrava, é sempre mais fácil vestir-me de qualquer coisa e fingir que esta não sou eu, eu sou aquela que está esparramada em meia dúzia de linhas e que tem a vida mais fascinante alguma vez vista (sim, comeu mangas no Cambodja e...).
Aqui estou, sem o meu sofá verde, os telhados das minhas aventuras, as janelas, o rádio que tocava sem parar... Onde tenho estado eu ao longo de todo este tempo? Sentada cá atrás a ver e sem perceber estes nós que se formaram à minha volta. Tenho saudades das coisas mais simples.
Quero recuperar essa fascinação e... e viver finalmente como sempre gostei! Vou colocar esta carta dentro de um envelope e enviar-ta, perdoa-me, meu querido, querido amigo, é um esquisso amargo de quem dá os primeiros passos no caminho de regresso à estrada principal!
Não tenho um cão, nem esse cão que não tenho tem cão... e os dias não são sempre uma montanha russa com túneis secretos, às vezes os meus chinelos podem incomodar, porque são os mesmos todos os dias, mas e depois?
Quando quiseres, diz-me, e vamos desenhar esse café.
E, e fica prometido... outras cartas chegarão!
Um abraço apertado, deste lado do mundo
a tua amiga que te ama
R
Carta (parte I)
Querido amigo:
Parecem séculos desde a ultima carta, talvez tenham sido (3 anos?)... Ah, por onde começar depois de tanto tempo, é como se houvesse uma barreira de vidro entre nós e pudéssemos apenas desenhar coisas abstractas com os dedos no vidro, talvez soprar (ou é bufar?) e desenhar qualquer coisa, uma chávena de café, tu desenhas outra, era um bom começo de conversa, não achas?
Talvez não para ti, era demasiado comprometedor verem-te a desenhar uma chávena de café (será que aqueles dois andam?)...
Sinto falta destas cartas do "como estás tu? ainda não morreste, pois não?".
Não, e esta carta é para te provar que ainda aqui estou!
Aqui, na cidade dos descobrimentos e dos navios sem destino. A ouvir Amy Seeley (ah, pois, agora sou eu a mostrar-te música, bem feita!). Bem, vou redireccionar esta caneta que se perde já nas entrelinhas em vez de mergulhar nas coisas que realmente interessam. Já tenho 24 anos, é verdade, ainda ontem parecia entrar nos 16, ainda ontem parecia que eu vestia t-shirts com flores e calças à boca de sino (eu queria muito ser hippie... e tinha umas calças azuis que adorava), agora aqui estou, mais despersonalizada que nunca. A verdade é que quanto mais cresço menos sei das coisas, parece quase uma viagem ao contrário... é mesmo assim? Já não tenho o meu antigo sofá verde, onde nos deitávamos para ver as estrelas que desenhámos com as canetas de feltro no tecto, agora é um sofá qualquer que nem sei para que serve. Sinto falta de um ombro amigo para poder dizer que me quero mudar para África e viver numa palhota a cantar e a dançar com os meninos da escola.
Poder dizer isto sem levar palmadas no rabo "salva-te a ti primeiro...".
Isto de crescer é como na escola, temos de estar constantemente a mostrar a todos que somos muito fixes, "o que é que fazes? " - "limpo latrinas".
Juro que um dia me vai escapar sem querer!
Acho que sou assim, uma cabeça de vento que nunca sabe bem para que lado vai soprar nem quando! Eu quero escrever. Essa é a minha paixão, vestir-me de lobo, mas na verdade eu sou o capuchinho vermelho. Viver a vida de uma criança de cinco anos novamente. Viver a vida de um senhor de 85, como se na verdade essa fosse a minha vida.
Vender flores. Enviar ramos a desconhecidas solteiras, sorrir, malandrar com malmequeres - bem-me-queres.
No entanto preciso de mais emoções, a vida é feita delas sabes?! Correr até o coração bater tão rápido que parece que vai sair de nós e correr ainda mais depressa. Ouvir alguém tocar na rua e chorar de emoção... rir às gargalhadas!
Onde estão todas essas coisas?
Parecem séculos desde a ultima carta, talvez tenham sido (3 anos?)... Ah, por onde começar depois de tanto tempo, é como se houvesse uma barreira de vidro entre nós e pudéssemos apenas desenhar coisas abstractas com os dedos no vidro, talvez soprar (ou é bufar?) e desenhar qualquer coisa, uma chávena de café, tu desenhas outra, era um bom começo de conversa, não achas?
Talvez não para ti, era demasiado comprometedor verem-te a desenhar uma chávena de café (será que aqueles dois andam?)...
Sinto falta destas cartas do "como estás tu? ainda não morreste, pois não?".
Não, e esta carta é para te provar que ainda aqui estou!
Aqui, na cidade dos descobrimentos e dos navios sem destino. A ouvir Amy Seeley (ah, pois, agora sou eu a mostrar-te música, bem feita!). Bem, vou redireccionar esta caneta que se perde já nas entrelinhas em vez de mergulhar nas coisas que realmente interessam. Já tenho 24 anos, é verdade, ainda ontem parecia entrar nos 16, ainda ontem parecia que eu vestia t-shirts com flores e calças à boca de sino (eu queria muito ser hippie... e tinha umas calças azuis que adorava), agora aqui estou, mais despersonalizada que nunca. A verdade é que quanto mais cresço menos sei das coisas, parece quase uma viagem ao contrário... é mesmo assim? Já não tenho o meu antigo sofá verde, onde nos deitávamos para ver as estrelas que desenhámos com as canetas de feltro no tecto, agora é um sofá qualquer que nem sei para que serve. Sinto falta de um ombro amigo para poder dizer que me quero mudar para África e viver numa palhota a cantar e a dançar com os meninos da escola.
Poder dizer isto sem levar palmadas no rabo "salva-te a ti primeiro...".
Isto de crescer é como na escola, temos de estar constantemente a mostrar a todos que somos muito fixes, "o que é que fazes? " - "limpo latrinas".
Juro que um dia me vai escapar sem querer!
Acho que sou assim, uma cabeça de vento que nunca sabe bem para que lado vai soprar nem quando! Eu quero escrever. Essa é a minha paixão, vestir-me de lobo, mas na verdade eu sou o capuchinho vermelho. Viver a vida de uma criança de cinco anos novamente. Viver a vida de um senhor de 85, como se na verdade essa fosse a minha vida.
Vender flores. Enviar ramos a desconhecidas solteiras, sorrir, malandrar com malmequeres - bem-me-queres.
No entanto preciso de mais emoções, a vida é feita delas sabes?! Correr até o coração bater tão rápido que parece que vai sair de nós e correr ainda mais depressa. Ouvir alguém tocar na rua e chorar de emoção... rir às gargalhadas!
Onde estão todas essas coisas?
(continua)
make a turn
Hoje quero ser menina. Sim, vestidos com lacinhos, baton, perfume e flores. Saudades de comprar ramos de flores e de as colocar dentro de garrafas com significados especiais. Dançar Belle & Sebastian às três horas da manhã quando já estou farta de ver televisão e me começo a sentir um bocadinho sozinha. Fazer café e beber chávenas cheias como se fosse chá. Coisas de miúda.
Cinzento escuro
Não posso salvar o mundo. Seria óptimo acordar um dia e dizer, hoje, vou salvar o mundo, não me telefonem. A verdade é que não há nada para salvar, nada para acontecer, nada para surpreender. A vida é uma sopa de dias que vamos mexendo na esperança que nos saia um dia de sol, quem sabe um dia romântico, na melhor das hipóteses um dia em que nos sai o Euromilhões e...
E podemos fingir que somos felizes com estilo!
Eu gostava de sopa de letras porque podia escrever as palavras que queria com a comida.
Agora tenho mais dificuldade em gostar das pequenas coisas da vida. Tudo se vai tornando gradualmente mais complicado, mais cinzento...
Somos escravos.
o dia um
Não sei porque ainda aqui venho - de vez enquando, certo, mas venho.
Sinto-me como uma velhinha de 80 anos que guarda de baixo da cama uma caixa de sapatos com cartas secretas que esconde desde que se casou aos 20.
É como escrever cartas sem destinatário que guardo, não sei para quê. Acho que é a esperança vã de encontrar alguém que leia a língua que eu falo.
Bem... aqui estou para escrever qualquer coisa sobre - sobre nada, quem sabe.
Escrevia sobre Lisboa para alguém que não conheço quando lhe digo que ao menos em Lisboa me encontro na cidade de onde grandes marinheiros partiram para lugares longínquos e desconhecidos, e sendo assim, esperava ser contagiada por esse espírito aventureiro e ser levada também para longe num navio pirata.
Ser destemida, não haver o medo do desconhecido, levar comigo um papagaio que come bananas para todo o lado e ter uma perna de pau da qual me orgulho bastante, obrigado por perguntarem.
Os primeiros dias do ano são sempre soturnos, parece que algo muda, temos sonhos e planos e lá ao fundo, nos meses que se avizinham, muitas tempestades e ilhas que não conhecemos, tribos canibais a querer comer a minha outra perna, e as saudades do nosso porto, lá longe numa Pátria da qual só nos lembramos do nome, e na memória umas imagens deslavadas de um rio.
Às vezes parece mais que estou num navio sem rumo, perdido no meio do oceano, sem saber para onde ir. Bah... disparates do primeiro dia do ano.
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