Fernando Pessoa

O cansaço de pensar, indo ao fundo de existir,
Faz-me velho desde antes de ontem com um frio até no corpo.

Wild is the wind

I was never one for singing what i really feel
Except tonight i'm bringing everything i know that's real
Stars, they come and go, they come fast or slow
They go like the last light of the sun, all in a blaze
And all you see is glory
Hey but it gets lonely there when there's no one here to share

I need a... drink.

I came by myself to a very crowded place, I was looking for someone who had lines in her face. 
I found her there but she was past all concern, I asked her to hold me, I said, "Lady, unfold me", but she scorned me and she told me I was dead and I could never return. 
Well, I argued all night like so many have before, saying, "Whatever you give me, I seem to need so much more". Then she pointed at me where I kneeled on her floor, she said, "Don't try to use me or slyly refuse me, just win me or lose me, it is this that the darkness is for". 

I cried, "Oh, Lady Midnight, I fear that you grow old, the stars eat your body and the wind makes you cold". "If we cry now," she said, "it will just be ignored". So I walked through the morning, sweet early morning, I could hear my lady calling, "You've won me, you've won me, my lord, you've won me, you've won me, my lord". (Leonard Cohen)

Recuperando velhos hábitos: livros ao calhas! (Maio: Soren Kierkegaard, O Banquete)

"começamos a estar sós, quando ouvimos que os outros se afastam" (Kierkegaard)

Caderno Vermelho

E no silêncio da mente há o desejo de acreditar nas suas próprias regras, de seguir em frente sem receio de sentir falta do que nunca viveu. No tecto, os carros seguem sem parar, alheios a qualquer tumúlto do coração.
No silêncio do quarto apenas o vazio e a incerteza de sentir,

"Quero tanto sentir. Sou de carne e osso ou serei a fingir?"
vou buscar o meu coração, guardei-o aqui
algures e, por ti, tenho a certeza, vale a
pena voltar a encontrá-lo e correr todos os
riscos de novo

cuidado com o cão, não morde, mas é
pesado e pode tirar-te o fôlego com as
patas no peito e depois vou querer
beijar-te

achas que podes não morrer antes

há champanhe e bolo de chocolate



(valter hugo mãe, folclore íntimo)




Não sei se existe isto de que falo,
mas deixa-me reparar um pouco
no teu modo ternamente animal
de confundir palavras e sentimentos,
num quase-silêncio desabrigado e informe.

(Manuel Freitas)
apenas preciso de alguém que me sorria e reponha o mesmo disco sempre a tocar e escute comigo o vento nas janelas e sinta a tristeza que têm os gladíolos murchando em cima da mesa



al berto

As Mulheres

"Tratam-nos mal, mas querem que as tratemos bem. Apaixonam-se por serial-killers e depois queixam-se de que nem um postalinho. Escrevem que se desunham. Fingem acreditar nas nossas mentiras desde que tenhamos graça a pregá-las. Aceitam-nos e toleram-nos porque se acham superiores. São superiores. Não têm o gene da violência, embora seja melhor não as provocarmos. Perdoam facilmente, mas nunca esquecem. Bebem cicuta ao pequeno-almoço e destilam mel ao jantar. Têm uma capacidade de entrega que até dói. São óptimas mães até que os filhos fazem 10 anos, depois perdem o norte. Pelam-se por jogos eróticos, mas com o sexo já depende. Têm dias. Têm noites. Conseguem ser tão calculistas e maldosas como qualquer homem, só que com muito mais nível. Inventaram o telemóvel ao volante. São corajosas e quando se lhes mete uma coisa na cabeça levam tudo à frente. Fazem-se de parvas porque o seguro morreu de velho e estão muito escaldadas. Fazem-se de inocentes e (milagre!) por esse acto de vontade tornam-se mesmo inocentes. Nunca perdem a capacidade de se deslumbrarem. Riem quando estão tristes, choram quando estão felizes. Não compreendem nada. Compreendem tudo. Sabem que o corpo é passageiro. Sabem que na viagem há que tratar bem o passageiro e que o amor é um bom fio condutor. Não são de confiança, mas até a mais infiel das mulheres é mais leal que o mais fiel dos homens. São tramadas. Comem-nos as papas na cabeça, mas depois levam-nos a colher à boca. A única coisa em nós que é para elas um mistério é a jantarada de amigos – elas quando jogam é para ganhar. E é tudo. Ah, não, há ainda mais uma coisa. Acreditam no Amor com A grande mas, para nossa sorte, contentam-se com pouco."

Rui Zink, in "Jornal Metro"

Just close your eyes and let yourself go...

Nota de Autor

Eu sei. Eu sei de muitas coisas, acredita. Sou é de uma natureza calada e discreta, não faço muito barulho. Sou como os bichos pequenos e que ninguém nota. Sou como o gato que caminha entre os cristais sem nunca partir nada e sem nunca se fazer ouvir. Não faço barulho. Eu aprendi com as pequenas coisas da vida, como as colheres que mexem o café, a ver como a vida se faz. E fui vivendo e experimentando o que me diziam as coisas do mundo que já existiam antes de mim. Eu aprendi muito com a minha avó que tanto gosta de coscuvilhar com as suas amigas que se vestiam de preto antes do tempo ter sido inventado. Aprendi com a minha mãe que costurava numa teimosa máquina enquanto cantava coisas que inventava. Aprendi com os caracóis que apanhava no jardim. Aprendi com os difíceis degraus, os sonhos maus e os monstros de armário. Aprendi que nada se deve desperdiçar porque cada segundo, é demasiado precioso.
É só que às vezes não sei.

Do you think we will be in love forever? You're no good for me...

"Quero vidros, quero arder, ainda que me quebre a mim mesma. Vivo apenas para o êxtase. Nada mais me afecta. Doses pequenas, amores moderados, todas as demi-teintes – tudo isso me deixa indiferente. Gosto de extravagância, ardor… sexualidade que rebente o termómetro! Sou neurótica, depravada, destrutiva, ardente, perigosa – lava, inflamável, irreprimível. Sinto-me como um animal selvagem que escapa do cativeiro." Anaïs Nin

Miguel Esteves Cardoso in Jornal Público - sobre as banalidades de sentir o que sentimos

Quando nos apaixonamos, ou estamos prestes a apaixonar-nos, qualquer coisinha que essa pessoa faz – se nos toca na mão ou diz que foi bom ver-nos, sem nós sabermos sequer se é verdade ou se quer dizer alguma coisa — ela levanta-nos pela alma e põe-nos a cabeça a voar, tonta de tão feliz e feliz de tão tonta. E, logo no momento seguinte, larga-nos a mão, vira a cara e espezinha-nos o coração, matando a vida e o mundo e o mundo e a vida que tínhamos imaginado para os dois. Lembro-me, quando comecei a apaixonar-me pela Maria João, da exaltação e do desespero que traziam essas importantíssimas banalidades. Lembro-me porque ainda agora as senti. Não faz sentido dizer que estou apaixonado por ela há quinze anos. Ou ontem. Ainda estou a apaixonar-me.

Gosto mais de estar com ela a fazer as coisas mais chatas do mundo do que estar sozinho ou com qualquer outra pessoa a fazer as coisas mais divertidas. As coisas continuam a ser chatas mas é estar com ela que é divertido. Não importa onde se está ou o que se está a fazer. O que importa é estar com ela. O amor nunca fica resolvido nem se alcança. Cada pormenor é dramático. De cada um tudo depende. Não é qualquer gesto que pode ser romântico ou trágico. Todos os gestos são. Sempre. É esse o medo. É essa a novidade. É assim o amor. Nunca podemos contar com ele. É por isso que nos apaixonamos por quem nos apaixonamos. Porque é uma grande, bendita distracção vivermos assim. Com tanta sorte.

Back to imagery (there's a sadness so hard to let go, it's imprinted deep inside)

Há um grito de vómito que não sai.

Thoughts

"Eu não saberia nunca como ajeitaria a minha alma a levar o meu corpo a possuir o seu. Dentro de mim, mesmo ao pensar nisso, tropeço em obstáculos que não vejo, enredo-me em teias que não sei o que são. Que muito mais me não aconteceria se eu quisesse possuí-la realmente?" (Bernardo Soares)

Tudo quanto penso, tudo quanto sou

Sim, está tudo certo.
Está tudo perfeitamente certo.
O pior é que está tudo errado.
Bem sei que esta casa é pintada de cinzento.
(...)
Mas, está claro, está tudo certo...
E, excepto estar errado, é assim mesmo, está certo...
(Fernando Pessoa)