Parece que a minha escrita tem aquela distorção que as rádios têm quando não as apanhamos bem. Não me consigo ouvir. Não consigo sequer escrever com uma letra legível. Não oiço nada nem ninguém. Orelhas e coração moucos. Pudesse eu devorar um dicionário e então haveria descrições concretas para este estado. Talvez seja da chuva, da roupa, das unhas que não param de crescer por mais que passe a vida a cortá-las e a pintá-las com as cores mais berrantes. Talvez seja o cabelo:
"Ouça, homem com mania que é cabeleireiro, eu perdoo-lhe a falta de jeito para a profissão que escolheu, que escolheu ou que lhe aconteceu - eu também tenho jeito para os telefones, pelo menos há dias... - perdoo-lhe este corte de cabelo desgrenhado que me dá o ar constante de ter acabado de acordar, perdoo-lhe o facto de não me ter cortado a franja como lhe pedi e de ter destruído a minha auto-estima em 20min. Perdoo-lhe o facto de me ter feito pagar no final... Perdoo-lhe o facto de ter ido para casa sabendo que eu fiquei com este corte de cabelo psicadélico-epiléptico-maluco-de-esquilo-raivoso."
Sabe porquê?
Não me importo nem um bocadinho.
Enquanto escrevia...
Cirurgia plástica -70%
Será um sinal? Será que se pode operar a parte de nós que dá erros ortográficos e ao mesmo tempo melhorar o angulo dos nossos seios?
Será um sinal? Será que se pode operar a parte de nós que dá erros ortográficos e ao mesmo tempo melhorar o angulo dos nossos seios?
Lista fútil do mês de Outubro
Praia. Tróia e as suas conchas de mil cores, vamos até lá fotografar os meus seios expostos e deixar cair queixos, abrir bocas, soltar línguas e desejos.
As coisas que deixaste para trás...
Carta esquecida dentro de um livro de Anton Tchecov:
O fim das coisas é triste. É a sensação de termos vivido em vão, é a necessidade de esquecer, apagar o que foi aprendido pelas emocões, é a vontade de seguir em frente - vivo.
Queremos fingir que nada existiu e que errámos, as nossas escolhas foram más, escolhemos mal, a culpa é nossa... culpa - mea culpa.
No entanto essa foi a escolha acertada a dada altura da nossa vida, foi o amor e a felicidade durante algum tempo, portanto, errar é relativo e sobrevalorizado.
Há pessoas, lugares e momentos que não deveriam ser apagados ou esquecidos. As pessoas não são erros. O fim das coisas é triste. O fim do amor. O fim de qualquer coisa. O fim de uma vida.
O fim é por si só o esquecimento por excelência. Uma morte sem haver morte. É um sopro. Um conto de alguém que já não somos.
O fim é uma coisa triste, como a caneta que acaba. A caneta que usámos para criar pontes com o mundo.
Eu queria recordar todos os antes dos meus fins. Quando o verde era fresco e o azul brilhante, os sorrisos cheios de vida, quando os bons momentos eram realmente bons.
Quem sabe escrever sobre as coisas realmente importantes?
Não receio a solidão, ela acontece quando nos abandonamos a nós mesmos, quando desistimos do que somos, quando já não acreditamos no valor dos pequenos gestos, quando não vemos as coisas mais pequenas - tu vês-me, eu vejo-te.
Acredito que quando for grande irei escrever sobre essas coisas importantes. Alguém tem que falar sobre elas ou irão ficar esquecidas para sempre como as músicas populares. Alguém tem de registar todas as coisas antes de elas chegarem ao fim.
Esperavas-me às cinco todos os dias... desculpa ter-te deixado. Queria ter uma recordação daqueles momentos juntas. Os chás. As tardes de sol. Nem uma fotografia. Nada. Uma morte sem haver morte é o que nos separa.
Isso e as coisas que deixaste para trás.
O fim das coisas é triste. É a sensação de termos vivido em vão, é a necessidade de esquecer, apagar o que foi aprendido pelas emocões, é a vontade de seguir em frente - vivo.
Queremos fingir que nada existiu e que errámos, as nossas escolhas foram más, escolhemos mal, a culpa é nossa... culpa - mea culpa.
No entanto essa foi a escolha acertada a dada altura da nossa vida, foi o amor e a felicidade durante algum tempo, portanto, errar é relativo e sobrevalorizado.
Há pessoas, lugares e momentos que não deveriam ser apagados ou esquecidos. As pessoas não são erros. O fim das coisas é triste. O fim do amor. O fim de qualquer coisa. O fim de uma vida.
O fim é por si só o esquecimento por excelência. Uma morte sem haver morte. É um sopro. Um conto de alguém que já não somos.
O fim é uma coisa triste, como a caneta que acaba. A caneta que usámos para criar pontes com o mundo.
Eu queria recordar todos os antes dos meus fins. Quando o verde era fresco e o azul brilhante, os sorrisos cheios de vida, quando os bons momentos eram realmente bons.
Quem sabe escrever sobre as coisas realmente importantes?
Não receio a solidão, ela acontece quando nos abandonamos a nós mesmos, quando desistimos do que somos, quando já não acreditamos no valor dos pequenos gestos, quando não vemos as coisas mais pequenas - tu vês-me, eu vejo-te.
Acredito que quando for grande irei escrever sobre essas coisas importantes. Alguém tem que falar sobre elas ou irão ficar esquecidas para sempre como as músicas populares. Alguém tem de registar todas as coisas antes de elas chegarem ao fim.
Esperavas-me às cinco todos os dias... desculpa ter-te deixado. Queria ter uma recordação daqueles momentos juntas. Os chás. As tardes de sol. Nem uma fotografia. Nada. Uma morte sem haver morte é o que nos separa.
Isso e as coisas que deixaste para trás.
Quem disse que os textos sobre as pessoas que conhecemos deviam ser bonitos?
A pensar.
Com fome... vou jantar.
Com fome... vou jantar.
the girl from back then
O sono fugiu-me. Foi-se pela janela. Eu queria apenas que ele me embalasse até adormecer, depois podia ir por aí, noite adentro sem deixar rasto, eu não faria perguntas, juro, não perguntava onde tinha ido, amanhã de manhã quando acordasse com as marcas da almofada na bochecha.
Aqui fiquei eu sozinha, o cigarro a queimar lento entre os dedos e a caneta a escrever na mão. E eu deixo, não há nada que possa fazer, ela tem coisas para dizer, tem ciúmes do sono eu acho. Tem saudades de ler livros, saudades dessa rapariga que eu fui outrora, essa tal que andava de baloiço e tinha amigos interessantes que tocavam guitarra em bares obscuros e se embebedavam. Essa rapariga ria-se com facilidade, não tinha medo da vida e o tempo era ainda um homem gentil para ela. Hoje em dia essa rapariga engole as lágrimas em vez de vinho branco, escreve sobre os medos e fala pouco sobre as fantasias do amor e da cama, tem medo da caneta, daquilo que ela pode dizer, daquilo que ela pode despir.
Esta rapariga tem medo da nudez, não vá acabar a noite com os seios de fora.
Esta rapariga é um medo.
Há uma praia na minha memória da qual tenho saudades, essa rapariga visitava-a para ir encontrar-se com amigos secretos. Nessa praia havia mensagens antigas, corpos antigos, desejos quebrados e sonhos velhos, nela tudo era possível, todas as conversas conversáveis, todos os sexos viáveis. Não havia homem ou mulher, éramos uma só areia, uma só água que se misturava e criava castelos, sei que essa praia existe algures, cheia desses pescadores que nos embalam na sua corda e nos levam nos seus baldes de encanto para nos cozinharem depois nas suas mãos de amor - ela existe. O caminho até ela foi esquecido na teia de caminhos que a vida vai tecendo. A vida como as histórias, é orgânica está sempre a mudar, a cair, a criar... Nessa praia há rapazes de outros tempos a correr descalços, rapazes que vêem o pôr do sol e apanham conchas pela primeira vez, há raparigas que namoram sereias e sereias que nascem das estrelas. Nessa praia há uma rapariga que ainda está viva e que tem sonhos vivos, sonhos à espera.
Aqui fiquei eu sozinha, o cigarro a queimar lento entre os dedos e a caneta a escrever na mão. E eu deixo, não há nada que possa fazer, ela tem coisas para dizer, tem ciúmes do sono eu acho. Tem saudades de ler livros, saudades dessa rapariga que eu fui outrora, essa tal que andava de baloiço e tinha amigos interessantes que tocavam guitarra em bares obscuros e se embebedavam. Essa rapariga ria-se com facilidade, não tinha medo da vida e o tempo era ainda um homem gentil para ela. Hoje em dia essa rapariga engole as lágrimas em vez de vinho branco, escreve sobre os medos e fala pouco sobre as fantasias do amor e da cama, tem medo da caneta, daquilo que ela pode dizer, daquilo que ela pode despir.
Esta rapariga tem medo da nudez, não vá acabar a noite com os seios de fora.
Esta rapariga é um medo.
Há uma praia na minha memória da qual tenho saudades, essa rapariga visitava-a para ir encontrar-se com amigos secretos. Nessa praia havia mensagens antigas, corpos antigos, desejos quebrados e sonhos velhos, nela tudo era possível, todas as conversas conversáveis, todos os sexos viáveis. Não havia homem ou mulher, éramos uma só areia, uma só água que se misturava e criava castelos, sei que essa praia existe algures, cheia desses pescadores que nos embalam na sua corda e nos levam nos seus baldes de encanto para nos cozinharem depois nas suas mãos de amor - ela existe. O caminho até ela foi esquecido na teia de caminhos que a vida vai tecendo. A vida como as histórias, é orgânica está sempre a mudar, a cair, a criar... Nessa praia há rapazes de outros tempos a correr descalços, rapazes que vêem o pôr do sol e apanham conchas pela primeira vez, há raparigas que namoram sereias e sereias que nascem das estrelas. Nessa praia há uma rapariga que ainda está viva e que tem sonhos vivos, sonhos à espera.
500 e uma divagações
Voar até o mundo acabar e não haver pessoas.
Voar até não haver mais asas para bater e então parar.
Pensava nisto antes de adormecer uma dessas noites. Pensava nisto e também em mudar de nome, mudar de casca, mudar tudo e ser outra pessoa, ter outra vida, uma vida perfeita. Mas foi também num desses passeios sem rumo que percebi que as vidas perfeitas não existem, assim sendo resta-nos recontá-las no papel, viver nas linhas a perfeição que não existe na vida. Uma espécie de copy paste da realidade nas entrelinhas da fantasia imaginada. Para vivermos todas essas vidas que gostaríamos teríamos de as registar no papel, fazer novelas e contos de fadas. Escrever é a libertação máxima, ainda que os haja, os censuradores, esses que nos querem entrar na cabeça e nas mãos e nas canetas e controlar o que escrevemos e pensamos. E ficamos com medo que destruam as nossas vidas, o nosso mundo de encantar. Ficamos com medo que até assim as nossas vidas perfeitas não sejam perfeitas.
Eu quero essas vidas todas que há dentro de mim! Quero a florista, a escultora e a cantora que existem dentro da minha cabeça. Quero a peixeira, a divorciada, a vendedora de carne! Sem as censurar, sem influenciar as suas escolhas e os sonhos que cada uma delas tem.
Voar até não haver mais asas para bater e então parar.
Pensava nisto antes de adormecer uma dessas noites. Pensava nisto e também em mudar de nome, mudar de casca, mudar tudo e ser outra pessoa, ter outra vida, uma vida perfeita. Mas foi também num desses passeios sem rumo que percebi que as vidas perfeitas não existem, assim sendo resta-nos recontá-las no papel, viver nas linhas a perfeição que não existe na vida. Uma espécie de copy paste da realidade nas entrelinhas da fantasia imaginada. Para vivermos todas essas vidas que gostaríamos teríamos de as registar no papel, fazer novelas e contos de fadas. Escrever é a libertação máxima, ainda que os haja, os censuradores, esses que nos querem entrar na cabeça e nas mãos e nas canetas e controlar o que escrevemos e pensamos. E ficamos com medo que destruam as nossas vidas, o nosso mundo de encantar. Ficamos com medo que até assim as nossas vidas perfeitas não sejam perfeitas.
Eu quero essas vidas todas que há dentro de mim! Quero a florista, a escultora e a cantora que existem dentro da minha cabeça. Quero a peixeira, a divorciada, a vendedora de carne! Sem as censurar, sem influenciar as suas escolhas e os sonhos que cada uma delas tem.
As mulheres e os Palhaços Viris
As mulheres depois de casadas ou em relações sérias deixam de querer ter sexo.
É verdade. Ninguém quer falar nisto mas sim, deixam de ter sexo. Não querem sexo.
A Pílula é sem duvida uma desculpa simpática. A pílula é a desculpa perfeita: "não é culpa tua, é minha".
A verdade é que as mulheres são bichos estranhos.
A verdade é que... as mulheres se desleixam.
Vestem-se mal, não cuidam da pele, não tratam as unhas nem arranjam o cabelo. A verdade é que as mulheres fazem isso tudo por um único motivo: ficarem o menos atraentes para os namorados / maridos.
Sim, é verdade. As mulheres não querem fazer sexo com os namorados / maridos. As mulheres não querem ter sexo com homens que limpam o nariz à hora do jantar e atiram os macacos para o chão, homem que se desleixam e ficam barrigudos, homens que subitamente sabem de todas as coisas do mundo e são mais inteligentes que o resto da humanidade, homens que se auto intitulam deuses de toda a sabedoria e razão, homens carrancudos com comandos de televisão na mão, homens que desfolham revistas com miúdas de 15 anos e fazem comentários ordinários.
Os homens têm que perceber que para uma mulher as coisas funcionam de forma diferente. E sim, as mulheres querem a vida perfeita e o homem perfeito e aí... haverá sexo.
É verdade. Ninguém quer falar nisto mas sim, deixam de ter sexo. Não querem sexo.
A Pílula é sem duvida uma desculpa simpática. A pílula é a desculpa perfeita: "não é culpa tua, é minha".
A verdade é que as mulheres são bichos estranhos.
A verdade é que... as mulheres se desleixam.
Vestem-se mal, não cuidam da pele, não tratam as unhas nem arranjam o cabelo. A verdade é que as mulheres fazem isso tudo por um único motivo: ficarem o menos atraentes para os namorados / maridos.
Sim, é verdade. As mulheres não querem fazer sexo com os namorados / maridos. As mulheres não querem ter sexo com homens que limpam o nariz à hora do jantar e atiram os macacos para o chão, homem que se desleixam e ficam barrigudos, homens que subitamente sabem de todas as coisas do mundo e são mais inteligentes que o resto da humanidade, homens que se auto intitulam deuses de toda a sabedoria e razão, homens carrancudos com comandos de televisão na mão, homens que desfolham revistas com miúdas de 15 anos e fazem comentários ordinários.
Os homens têm que perceber que para uma mulher as coisas funcionam de forma diferente. E sim, as mulheres querem a vida perfeita e o homem perfeito e aí... haverá sexo.
ares da montanha III (sem acentos)
O tempo e meu. Eu sou o tempo que quiser. Decido o que fazer com ele, quando me apetece. Posso usa-lo para cheirar flores, para fazer ou nao fazer o que quer que seja, eu controlo os ponteiros, somente eu.
Sou os segundos.
Frenetica, intensa, apaixonada e voluvel, louca instavel. Mudo de ideias de repente sem avisar ninguem, rebento em gargalhadas cortantes depois de lagrimas gordas terem rolado. Sou livre para me deixar passar pela vida das pessoas e nao me prender, namoriscar cada numero do relogio, roubar beijos, criar sonhos num segundo, uma vida inteira no momento.
Sou os minutos.
Elegante. Contida, controladora. Faco listas e bebo os cafes nos tempos certos. Coerencia verbal, coerencia fisica. Sou acertiva, cruel, cortante, recta, segura. Sei o que fazer no minuto certo.
Sou as horas.
Aproveito o sol, o dia. Fecho os olhos e durmo na relva. Ouco os passaros. Observo os ramos que se movem com o batucar do vento. Cheiro o aroma do mar que viajou ate a minha janela. Choro emocionada com a danca dos raios de luz furtivos que escapam entre as cortinas. Devoro livros e bebo poesia.Sou as horas e absorvo tudo com eloquencia, sabedoria e calma.
Sou os segundos.
Frenetica, intensa, apaixonada e voluvel, louca instavel. Mudo de ideias de repente sem avisar ninguem, rebento em gargalhadas cortantes depois de lagrimas gordas terem rolado. Sou livre para me deixar passar pela vida das pessoas e nao me prender, namoriscar cada numero do relogio, roubar beijos, criar sonhos num segundo, uma vida inteira no momento.
Sou os minutos.
Elegante. Contida, controladora. Faco listas e bebo os cafes nos tempos certos. Coerencia verbal, coerencia fisica. Sou acertiva, cruel, cortante, recta, segura. Sei o que fazer no minuto certo.
Sou as horas.
Aproveito o sol, o dia. Fecho os olhos e durmo na relva. Ouco os passaros. Observo os ramos que se movem com o batucar do vento. Cheiro o aroma do mar que viajou ate a minha janela. Choro emocionada com a danca dos raios de luz furtivos que escapam entre as cortinas. Devoro livros e bebo poesia.Sou as horas e absorvo tudo com eloquencia, sabedoria e calma.
ares da montanha II (sem acentos)
A mulher, sozinha, chorava
Tinha medo da montanha e do escuro
Vestia-se de folhas e gemia de frio
Chorava de noite e ria durante o dia.
A mulher vivia sozinha e nao sabia falar,
A mulher era um monstro em cima do altar.
A mulher nao sabia nada do mundo
Mas fazia-o rodar em cima do seu dedo polegar
Comia bagas e bebia do rio sem conseguir apaziguar
A sede que queria matar.
A mulher era grande, com um sorriso rasgado
Que nao conseguia guardar.
A mulher gostava de homens, ainda assim
Nao sabia amar. A mulher
era uma virgem gigante sem lugar para descansar.
Tinha medo da montanha e do escuro
Vestia-se de folhas e gemia de frio
Chorava de noite e ria durante o dia.
A mulher vivia sozinha e nao sabia falar,
A mulher era um monstro em cima do altar.
A mulher nao sabia nada do mundo
Mas fazia-o rodar em cima do seu dedo polegar
Comia bagas e bebia do rio sem conseguir apaziguar
A sede que queria matar.
A mulher era grande, com um sorriso rasgado
Que nao conseguia guardar.
A mulher gostava de homens, ainda assim
Nao sabia amar. A mulher
era uma virgem gigante sem lugar para descansar.
ares da montanha (sem acentos)
Havia um homem que viajava de mota.
Viajava sem parar dias a fio, nem a chuva o demovia.
Fugia do passado, da vida do dia-a-dia. Julgava, dizem,
que a viagem lhe traria a saudade, mas quanto mais viajava
menos sentia sobre as coisas que deixara ficar, na esperanca
de as vir a recuperar. O homem perdeu-se na sua procura.
As barbas cresceram, o tempo passou e ele jamais se encontrou.
Viajava sem parar dias a fio, nem a chuva o demovia.
Fugia do passado, da vida do dia-a-dia. Julgava, dizem,
que a viagem lhe traria a saudade, mas quanto mais viajava
menos sentia sobre as coisas que deixara ficar, na esperanca
de as vir a recuperar. O homem perdeu-se na sua procura.
As barbas cresceram, o tempo passou e ele jamais se encontrou.
sem acentos, sem poiso, aves que voam sem parar
Ha de facto um grito que se quer soltar. Nao vamos nega-lo.
Ele esta vivo e quer sair, quer ecoar contra as rochas da montanha, quer despenhar-se desses precipicios sem fim, rebolar abismo adentro e morrer no horizonte.
Ha sonhos que querem nascer, como as folhas dos fetos. Pisamo-los e eles resistem, esmagamo-los e eles sobrevivem. Nao sabemos o que fazer com eles, sonhos e gritos misturam-se, confundem-se, diluem-se na chuva mas nunca desaparecem. Ha sentimentos que querem morrer mas nao deixamos, queremo-los so para nos, ainda que velhos e moribundos - os amores de Verao, as paixoes de infancia.
Ninguem se importa, deixemo-nos ir, qual avalanche, desfazendo tudo a nossa passagem, destruindo tudo e todos ate nao restar nada, apenas gritos no vazio.
Ele esta vivo e quer sair, quer ecoar contra as rochas da montanha, quer despenhar-se desses precipicios sem fim, rebolar abismo adentro e morrer no horizonte.
Ha sonhos que querem nascer, como as folhas dos fetos. Pisamo-los e eles resistem, esmagamo-los e eles sobrevivem. Nao sabemos o que fazer com eles, sonhos e gritos misturam-se, confundem-se, diluem-se na chuva mas nunca desaparecem. Ha sentimentos que querem morrer mas nao deixamos, queremo-los so para nos, ainda que velhos e moribundos - os amores de Verao, as paixoes de infancia.
Ninguem se importa, deixemo-nos ir, qual avalanche, desfazendo tudo a nossa passagem, destruindo tudo e todos ate nao restar nada, apenas gritos no vazio.
Pandora
Não são apenas palavras, estas fazem sentido.
Aqui vou eu, para mais um mergulho na caixa das emoções.
Aqui vou eu, para mais um mergulho na caixa das emoções.
cabeça de sobrancelha
cabeça de anormal
cabeça de roupa feia
cabeça de pessoa estúpida
enfim...
escárnio e mal dizer é fácil da gente fazer
cabeça de roupa feia
cabeça de pessoa estúpida
enfim...
escárnio e mal dizer é fácil da gente fazer
dias
Estou com vontade de sair daqui, vaguear... quero somente vaguear rua fora.
Vou ao café, vou ao café matar esta cabeça de enguia.
Vou ao café, vou ao café matar esta cabeça de enguia.
Biografia - fragmentos
Cresci numa casa cheia de silêncio. Herdei, de pai e mãe, os olhos que querem ver tudo e a boca pequena que não gosta de falar, boca que não sabe falar. Cresci numa casa cheia de histórias. A mãe trabalhava com as suas mãos sem parar e, sempre a trabalhar, tecia os dias, inventando tarefas para enganar a louca solidão dos anos de reclusão. Mãos que nunca paravam para abraçar. Houve um Inverno, quando as minhas pernas já sabiam andar, que me adormeci no seu quente abraço, respirando aquele cheiro de mãe, respirando o amor.
Eu cresci e a casa foi crescendo também, mais quartos, cozinhas, salas, mais silêncio, mais solidão, mais mãos ocupadas para não darem lugar ao carinho.
Eu cresci e a casa foi crescendo também, mais quartos, cozinhas, salas, mais silêncio, mais solidão, mais mãos ocupadas para não darem lugar ao carinho.
to awake is to kill a dream
Hoje pensei em ti. Nem sempre o faço, a roda da vida distrai-nos com muitas imagens, os sons roubam-nos os pensamentos e, as filas no supermercado não sendo maiores com o passar do tempo. Hoje pensei em ti e lembrei-me da simplicidade do Verão quando vivíamos juntas. As janelas escancaradas para a rua, a rua escancarada para nós, mostrando-nos os passos dos vizinhos que olhavam de soslaio o candeeiro do quarto. Lembrei-me das conversas, das gargalhadas e de adormecermos juntas, éramos como verdadeiras irmãs - de sangue. Havia aquela ligação que vai para lá do compreensível, havia os segredos, a partilha de sonhos e de medos. Hoje pensei em ti e esse pensamento vinha revestido de uma saudade que desconhecia. Era como se tudo tivesse acontecido há tanto tempo que a memória se desbota já, como as camisolas favoritas quando lavadas muitas vezes. Saudades tuas, Sarita.
O sol deste Verão sabe a saudade...
Há dias em que o tempo parece ter desaparecido. Há dias em que parece não termos vivido o suficiente para o tempo ter voado desta maneira.
Há uma menina que vai viajar... that girl is like a wild horse, man! A wild horse...
21 dias
21 sonhos, 21 mundos
É verdade, a India está no meu coração e, o meu coração está na India.
Delhi - Amritsar - Dharamshala - Mandi - Rewalsar - Manali - Naggar - Shimla - Jaipur - Agra - Gaya - Varanasi - Delhi
eu sei que vou te amar
(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu será pra te dizer
Que eu sei que vou te amar por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
(ai ai, há dias assim)
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu será pra te dizer
Que eu sei que vou te amar por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
(ai ai, há dias assim)
um brinde aos bons velhos tempos, os tempos com baloiços, relva e risos noite adentro. um brinde a esses eus que nos visitam em sonhos!
I'm so alone tonight
My bed feels larger than when I was small
Lost in memories
Lost in all the sheets and old pillows
So alone tonight
Miss you more than I will let you know
Miss the outline of your back
Miss you breathing down my neck
They're all out to get you
Once again
Insecure, what you gonna do
Feel so small they could step on you
Called you up, answering machine
When the human touch
Is what is need
What I need
Is you
I need you
Looked in the mirror, I don't know who I am anymore
The face is familiar
But the eyes, the eyes give it all away
They're all out to get you
Once again they're all out to get you
Here they come again
Insecure what you gonna do
Feel so small they could step on you
Called you up, answering machine
When the human touch
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