Pink Lipstick - you were my little girl dream

Eu sempre tive um fraquinho por ti. Tu sabias. E eu queria lá saber.
A única coisa que importava, era que isso me fazia sorrir!

"What is there to know?
All this is what it is
You and me alone
Sheer simplicity"

Conversa para adultos

Está na hora de crescer e tomar decisões que podem afectar os meus próximos 40 anos. Há que saber qual o caminho a seguir, quem quero ser. Se é fácil e simples para uma criança de 2 anos, para mim terá de o ser também. Queria que fosse sempre um passeio na praia, descalça, os pés na areia, a despreocupação total, aquela pequena liberdade que nos dão a provar enquanto somos adolescentes, mas que depois nos roubam quando nos dizem que crescemos, que já não podemos passar as tardes com os amigos num café, há que nos fazermos à vida! E o que é isso? Seremos nós como o domador de leões? Estamos fechados na arena com a vida á nossa frente e temos de a domar? Confesso que há dias em que não percebo nada.

Outono

"All of those little lights in the sky
They only stick your feet to the ground
You'd better keep your head down
All of this little dreams in your mind
They only make you wonder why
When you wake up you start to cry
When you come home you just want to die
There was a time you seemed to be fine
You were a rock when you were a child
Waiting for the turn of the tide
You thought the stars were sending you love
How come you never wondered why
When you came home, you started to cry
When you woke up, you wanted to die
All of this little lights in the sky
If you can make them fall you will rise
Just turn the mic of timeI thought
I could be able to find
Something to save all I left behind
But as I grew up I changed my mind
And only remained the stars in the sky
With your innocense fly by" (musical poem by Ane Brun)

Tenho saudades de passear contigo de pijama. Recordo aquele pequeno momento antes de adormecer, aquele em que as palavras são uma parvoíce músical à qual quase nem damos importância. Trepávamos aos telhados mais altos e tentávamos encontrar gatos pretos. Ficavamos sentados a ver as estrelas e depois perdiamo-nos nas linhas turtuosas das minhas histórias. Eu contava-te histórias, não porque tu as quisesses ouvir, somente porque eu tas queria contar, dava-me um prazer terrível imaginar lugares estranhos onde te levar, e tu vinhas sempre. E fazia-me feliz imaginar, era tão simples, natural como respirar. Vinhas comigo mesmo quando tinhas muito sono e arrastavas atrás de ti a manta da tua infância. Adormecias sempre antes de eu conseguir chegar à cama. O que não sabes é que às vezes eu não descia logo pela janela, às vezes ficava por lá a olhar-te, acho que era somente nesses momentos que eu conseguia ver as tuas palavras, eu nunca consegui perceber que o teu coração era mudo, e estava sempre à espera de provar a mim mesma que estava certa, que também ele podia falar. Agora a tua janela fica num lugar longinquo que eu já não me lembro. Quando passeio nesse momento antes de adormecer por esse mundo fora, vou olhando com atenção, mas nunca mais te encontrei, nem à tua janela. Agora são passeios diferentes, há outros lugares para ver, lá os vou imaginando, tentando não crescer para não os perder nunca. Gosto especialmente daqueles com árvores, lagos e pontes... Por vezes sinto que és um sonho. E a dormir digo "é" em voz alta. É, era um sonho que eu gostava muito. Agora sou aquela estrela do mar que não encontras quando o sono está disposta a não vir e te deitas na areia a dormir. Talvez um dia te possa acordar e dizer-te a sorrir "sou a estrela do mar"! E não saberás jamais se é melhor o desejo ou o espanto! Passaram mil anos desde o nosso encontro, no entanto na tua boca de menino, deixa-me dar-te um beijo. Um beijo de saudade.

Papão - o meu Adamastor

Eu era uma menina pequenina. Minto. Eu era uma criança assustada. Compreendo que não o soubesses, por isso me apetece contar-te agora que na altura não passavas de um monstro gigante, cujo o temor me torturava sempre que pensava em dar grandes passeios pelo bosque. Agora que o tempo passou e eu pude crescer o suficiente para ver o que há do lado de lá da mesa, olho para ti praí sentado e não posso deixar de ter pena. Crescemos todos e agora já não tens a quem meter medo. Estás esquecido nesse sofá para inválidos, olhas pela janela e aceitas as chávenas de chá que te dão sem sequer te importares se têm açucar. Pobre bichinho. Agora percebo que não és assim tão alto nem astuto, tens os olhos embrutecidos pelo tempo que passaste caminhando na neblina dos dias de Inverno. Eram os dias que gostavas mais, não tinhas que assustar ninguém e acreditavas que o mundo era só teu. E sabes, acredito mesmo que fosse.

a mudar a vida... ai ai, para que lado? aquele que o relógio apontar!

Conversas com o Sr. José
A vida não vai ficando mais fácil. Conheces certamente esta frase de outros momentos da tua vida em que pessoas com uma certa idade a suspiram, como se a desabafassem, naquele pequeno momento em que a verdade lhes escapa sem querer. A verdade é que não queríamos dizê-la, seria aquela frase secreta que guardamos com a vergonha de não termos percebido mais cedo como as coisas realmente são, sabes, pensam que com a idade vamos ganhando alguma sapiência, no entanto, é na surpresa dos anos que passam que a descobrimos um dia, quando nos damos conta que envelhecemos e continuamos a sofrer com aquelas coisas que sempre nos fizeram sofrer. Estou reformado. Poderias pensar que tenho todo o tempo do mundo para finalmente fazer as coisas que queria (no tempo em que queria coisas). Não as faço. Lembro-me do meu sonho - queria ser escritor. Guardava secretamente umas folhas rabiscadas, projectos de livros epopeicos dos quais apenas me lembro agora do esboço mental que fazia enquanto cumpria o meu horário na fábrica... foi o que ficou desses meus livros. E eu era bom, eu era... Eu sonhava que iria conseguir cumprir esses meus sonhos. Mas o tempo foi passando e foi-me roubando aquelas capacidades de jovem viril, a coerência, a memória, a vista... a vontade. Hoje sou um homem velho sem sonhos (e aqui quero uma frase sem vírgulas). Todos os que tinha morreram no momento em que percebi que a vida não vai ficando mais fácil. A coisa que aprendi com este punhado de anos foi que em tempos eu poderia ter tido uma grande vida, agora, com os meus óculos graduados e as minhas histórias, não passo que um velho que chateia os que não têm tempo para ouvir. (R.M.)

fragmento de um diário antigo

Estou contente com esta pequenina viagem que vou fazer. Parece que é uma viagem muito grande dentro de mim, até tenho borboletas a voar cá dentro. As minhas ruas e o cheiro no ar a mar do Norte, talvez as mesmas caras de antes nas mesmas esquinas, o chão, a luz, as pessoas. Lembro-me dos dias de Inverno, as luzes acesas, os guarda-chuvas pousados nos braços o brilho das poças de água... ainda que não seja Inverno estou contente por voltar ao Porto.

la la la, a vida não é para ser levada a sério pois não?

Ain't got no home, ain't got no shoes Ain't got no money, ain't got no class Ain't got no skirts, ain't got no sweaters Ain't got no faith, ain't got no beard Ain't got no mind Ain't got no mother, ain't got no culture Ain't got no friends, ain't got no schooling Ain't got no name, ain't got no love Ain't got no ticket, ain't got no token Ain't got no God What have I got? Why am I alive anyway? Yeah, what have I got? Nobody can take away I got my hair, I got my head I got my brains, I got my ears I got my eyes, I got my nose I got my mouth, I got my smile I got my tongue, I got my chin I got my neck, I got my boobs I got my heart, I got my soul I got my back, I got my sex I got my arms, I got my hands I got my fingers, Got my legs I got my feet, I got my toes I got my liver, Got my blood I've got life, I've got my freedom I've got the life I got a headache, and toothache, And bad times too like you, I got my hair, I got my head I got my brains, I got my ears I got my eyes, I got my nose I got my mouth, I got my smile I got my tongue, I got my chin I got my neck, I got my boobies I got my heart, I got my soul I got my back, I got my sex I got my arms, I got my hands I got my fingers, Got my legs I got my feet, I got my toes I got my liver, Got my blood I've got life, I've got my freedom I've got life, I'm gonna keep it I've got life, I'm gonna keep it (a Nina)

loucura de uma tarde de Verão

Eu quero fazer chapéus.
Quero remar contra a maré e encontrar-me contigo na Foz do Douro pela primeira vez em 1000 anos. Não vamos pensar em sexo desta vez, vamos só dar as mãos e ver o nascer do sol que está mesmo atrás de ti. Nunca o vês.
Quero correr na linha do eléctrico, beijar aquela luz de cidade entristecida.
A minha cidade. Porto.
Preciso dessas futilidades para aguentar... ah os dias, os dias longos e frios, brancos como o fluorescente das lâmpadas do mercado. Dá-me, dá-me lagartixas a correr, eu preciso, preciso das ruas inclinadas, do movimento do autocarro, da chuva a escorrer nos vidros, daqueles cafés com cadeiras de madeira. Que se fodam as de plástico.
Coisas pequeninas...
Pequenas... as cordas de um violoncelo... aulas de música... não cresço, criança, adolescente, rebelde. Quero o meu pai de volta para poder ser do contra. Contra o quê?
Contra mim, contra a parede e o vaso parte-se com as rumãs a rebolar... e rimos da loucura dos dias mortos de Verão que de nada ou pouco servem. Eu percebo... a luz influencia-me a escrever. Os dedos moles, demoram a pensar, dobram-se em cima das letras... tesão, preciso.
Quero gritar, sussurrar dentro de mim, dentro da sala escura, vamos fechar as janelas.
Paris... Silêncio. Paris acordou.
Paris, a pradaria do imaginário literário. Ah o romance que fede decomposto...
O amor... pequeno capuchinho vermelho, eu como-te. Devoro a tua capa, e em pelo, tu pedes-me que te abrace... tens frio.

"conta-me uma história, estou tão aborrecida, vá lá" (e depois ninguém contou nada)

Alberto.
Este nome não me sai da cabeça desde o dia em que, percorrendo o meu usual caminho diário, não parava de o repetir vezes e vezes sem conta. Alberto. Alberto com o "l" bem enrolado na língua. Alberto com o "r" matreiro a querer correr como um carro barulhento. Alberto. Esguio, alto, magro e suave como uma folha verde e macia que se dobra com as carícias matreiras do vento, que as percorre sem pedir autorização. 
Quem será o Alberto? Terei eu um Alberto dentro de mim? Talvez ele seja músico... espera, espera... ele toca guitarra. Os dedos longos e finos como ramos de romã beliscam com suavidade as cordas arrepiadas e virgens, e os sons viajam no ar em aviões muito pequeninos e leves. São barquinhos de papel na imensidão marítima do tempo e espaço. Queria ter dedos assim, dedos conhecedores de notas musicais "Como está senhor Dó Menor? Dona Ré, à quanto tempo, mais verdinha hoje!".
Para mim o Ré é verde, se eu fosse "cinestésica" era verde mesmo.
Um dia ele convida-me para tomar café e eu nem vou acreditar quando ele tocar para mim na sua guitarra de algodão. O meu chapéu será azul com muitas nuvens penduradas, e no café desenho uma ovelha dourada. A música da Pantera Cor-de-Rosa será a nossa banda sonora ao entardecer...
Ai, ai... Alberrrrto!

divagação numa tarde de sol

dentro de mim há um deserto. estende-se até ao infinito. é azul, da cor do céu. é nele que mergulham as emoções como peixes cansados de voar. eu dispo-me nesse deserto e no instante em que a minha pele fica nua eu e ele somos um. não sei onde começo ou termino naquele deserto, se me deito, perco-me de mim e sou o infinito que existe nas coisas belas. também eu sou como um peixe sedento, quero saciar esta sede nessa areia. mais, mais que esta não chega... morro... eu morro-me se não beber desse mar azul.

o desafio (viagem ao passado)

O DeSaFiO não me foi proposto por ninguém em concreto, por muita pena minha, mas achei-o interessante e resolvi arriscar.

Há 10 anos...
1 – O meu primeiro namorado.
2 – Escrevi um livro chamado "A Fuga" (é verdade, 145 páginas de pura ficção!)
3 – A minha mãe autorizou-me a pintar uma parede do quarto de preto.

Há 5 anos...
1 – Entrei para a universidade determinada a mudar a minha vida!
2 – Descobri o alcool e os seu "bons" efeitos (durante e depois).
3 – Comecei a ter aulas de pintura.

Há 2 anos...
1 – Descobri o amor.
2 – Virei o mundo ao contrário.
3 – Desci da minha torre.

Há 1 ano...
1 – Mudei de cidade.
2 – Lips on your Lips.
3 – Rir rir e ser criança com gente que se ama!

Ontem...
1 – Ontem… tive aula de canto.
2 – Queria ser três pessoas diferentes ao mesmo tempo!
3 – Brinquei com gatos!

Hoje...
1 – Hoje fiz bonecas de trapos pretas!
2 – Quis escrever...
3 – Vou ver Kings!!!

Amanhã...
1 – Vou fazer bonecas de trapos pretas…
2 – Vou mudar o mundo.
3 – Vou brincar com gatos

Cinco coisas sem as quais não consigo viver:
1 - Ar
2 - Água
3 - Sonhar
4 – Amor
5 – Música

Cinco coisas que compraria com 1000 euros:
1 – Fugia para a India, ou outro lugar qualquer cujo o preço do bilhete fosse 1000 euros, deixava-me perder onde ninguém me conhecesse nem esperasse nada de mim.
2 – Tintas, pincéis, telas gigantes, tecidos coloridos, fitas e colas, botões (preciso mesmo…).
3 – Uma cadeira estilo anos 20 para a minha secretária… A minha dá-me cabo das costas…
4 – Começava uma empresa virtual qualquer… =/
5 – Aulas de francês e de canto (para me abrir portas naqueles sonhos mais reconditos - cantar em francês, sussurrar "Edit Piafices")

Cinco maus hábitos que tenho:
1 – Nunca conseguir acordar a horas…
2 – Nunca chegar a horas a lado nenhum…
3 – Ter receios a mais.
4 – Arriscar pouco.
5 – Tenho pouca garra. (Garra rapariga!!!)

Três coisas que me metem medo:
1 – Sentir-me só…
2 – Sofrer…
3 – Às vezes lugares escuros… (como eu)

Três coisas que tenho vestidas:
1 – Jeans.
2 – Uma camisa branca.
3 – Umas cuecas amarelas com flores!

Três coisas que quero mesmo muito neste instante:
1 – Um campo relvado onde me deitar…
2 – Um abraço forte.
3 – A companhia de um bom amigo…

Três lugares que gostava de visitar:
1 - Butão
2 – India (para me perder e encontrar)
3 – Islândia (também quero sentar-me junto a um lago a ver o sol da meia noite enquanto aguardo a chegada do meu amor)

Vou desafiar: Quem se sentir desafiado! Tu!?

confusões

Tenho saudade das palavras. Do desenho que compõe uma carta. As linhas do pensamento. Os lugares dentro de cada letra. Onde me escondi eu com o meu caderno de desenhos? O tempo, pequenino e malandro vai-me embalando e eu deixo-me levar por ele sem ... não sei.

Oxalá

Oxalá eu pudesse voar até ao outro lado do mundo, beber chá no deserto. Oxalá, nunca me esqueça que as asas servem para voar, mesmo quando não são usadas durante muito tempo.
Oxalá eu te encontre por essas ruas e te surpreenda cantando.
Oxalá o futuro aconteça.
Oxalá que a vida me corra bem, que possa sorrir e andar de baloiço nas noites de Verão, correr na calçada com os sapatos enfiados na carteira e gargalhar nos intervalos da conversa!
Oxalá me apaixone.

Adeus, não afastes os teus olhos dos meus... II

Foi a vez do "terrível" e do "careca" fazerem a viagem rumo às suas novas famílias... restam a Amália e o Napoleão.
Penso que esses já se sentem em família à muito tempo!
"Quando dormes
E te esqueces
O que ves
Tu quem és
Quando eu voltar
O que vais dizer?
Vou sentar no meu lugar
Adeus
Nao afastes os teus olhos dos meus
Isolar para sempre este tempo
É tudo o que tenho para dar
Quando acordas
Porque quem chamas tu?
Vou esperar
Eu vou ficar
Nos teus braços
Eu vou conseguir fixar
O teu ar
A tua surpresa
Adeus
Não afastes os teus olhos dos meus
Eu vou agarrar este tempo
E nunca mais largar
Adeus
Não afastes os teus braços dos meus
Vou ficar para sempre neste tempo
Eu vou, vou conseguir para-lo
Vou conseguir para-lo
Vou conseguir
Adeus
Não afastes os teus olhos dos meus
Vou ficar para sempre neste tempo
Eu vou conseguir para-lo
Eu vou conseguir guarda-lo
Eu vou conseguir ficar"
Boa viagem,
Adeus!

A carta (viagem no tempo)

Parece mesmo que morreste. Já reparaste neste silêncio que nos separa? Já não te encontro do lado de lá do tronco da nossa árvore. Sento-me e espero por ti nessas tardes que para mim faziam sentido quando te esperava. Agora, espero-te e tu não vens. Nada faz sentido. Também abro a janela como fazia no antigamente, aquele muito antigo em que eu gostava muito de ti. Onde estás? Ainda te lembras de mim? Perdi-me de ti naquele sonho estranho em que seguias num carro grande e te afastavas cada vez mais, eu a chamar, a chamar... a mostrar-te as minhas luvas de mimo, aquelas com que eu gostava de brincar contigo, as tuas favoritas, ainda te lembras? Eram vermelhas! ...às vezes sonho contigo, ainda aí estas, mas longe, do lado de lá da velha ponte vermelha. Não é justo que tenhas ficado com os meus dedos, aqueles que eu usava para falar. Deixaste-me muda. Roubaste as histórias que eu te contava. Ficaste com tudo. Agora reparo que sempre foi assim, tu lá e eu aqui, a desenhar-te o mundo, tu nunca querias nada... e eu dava-te tudo, os meus lápis de cera, as minhas mãos e a minha boca. Dentro da esquecida mala de viagem encontrei alguns dedos e recomeço a aprender a falar. Não vais acreditar, mas o mundo afinal é redondo e podemos ir a todo o lado escorregando como num escorrega gigante. Eu quero ir a todo o lado, ver o azul e o vermelho do mundo. Eu vou levando verde, na esperança vã que te relembres dos tempos em que ainda sabias voar e nos ríamos nos intervalos dos silêncios que degustávamos no telhado da minha inexistente vizinha. Às vezes ainda espreito pela tua janela. Está sempre fechada e é escuro lá dentro. Ainda assim, espero encontrar-te um dia para te poder entregar um abraço muito pequenino que fui deixando dentro de um bolso antigo. Esta carta serve só para te dizer que eu ainda estou viva.

Adeus, não afastes os teus olhos dos meus...

Começou. Hoje foi a primeira vez... vou ter saudades da minha "Gorda"... é que eu pensava mesmo que ela era minha.
Adeus.

Auto-Retrato | há um grito que se quer soltar


Nada funciona neste mundo de loucos? Onde esconderam o sol? Porque calaram o mar? E o barulho das árvores? Ninguém diz nada!? O silêncio é universal e sinto-me como aquele cão moribundo recordando a sua juventude junto da figueira. Porque me fogem as palavras, porque se escondem, malditas, por entre as linhas de uma caneta que não sabe desenhar? Encontro-me. Encontro-me. Encontra-me. Dedos que querem gritar, dedos que gemem de dor de silêncio de ódio, dedos que querem escrever, dedos que querem devorar palavras. Significados? Só este nó no estômago, esta pedra. Onde deixas-te o sol, onde?
Quem diria, que pode haver poetas, sem poesia...

na mesa da esquerda, ao lado da janela grande

Tentei em vão encontrar a velha satisfação de me perder nos lugares e me deixar levar pelo apetite materialista. Em vão...
Coisas dessas pouco ou nada me satisfazem hoje em dia. Saudade daquelas palavras inflamadas tão cheias de cor, os delírios nocturnos em que me imaginava com asas, capaz de viver - assim, como ser alado - num mundo de lagartas gordas como vacas. Entristece-me o facto das coisas materiais pouco poderem fazer por mim, terei de me virar para lá das estrelas, buscando essa satisfação imediata, o antídoto para este ácido que corroi por me sentir, sempre e cada vez mais longe.
Talvez também eu tenha nascido com um coração de pássaro, daqueles que batem demasiado depressa.
<> <>
Sinto que me morro a cada encontro, a cada momento consciente de que - para mim - um pouco de tudo acabou.
A comida chegou. Paro para mergulhar num dos actos humanos que mais aprecio*.
*A seguir ao sexo, claro está.

a lua caíu na terra (por terminar)

Toda a gente sabe que foi naquele sábado quente de Junho. Saíu em todos os jornais, até aquele da Moita que ninguém lê. Mas eu estava lá, eu sei a história toda. - Mas ò Ti'maria, conte lá melhor que eu ouvi dizer mas não se me entra na cabeça que isso se tenha passado como ouvi dizer. Ò mulher de Deus, que a mim quaise que se me parou o coraçãozinho que Deuz me deu com aquela história. Estava eu a passar a minha combinçaõ azul-escura, a que comprei para as minhas idas ao médico - é que desde que o meu Antero morreu, nunca, nunca mais usei um trapinho de cor viva, roubada seja a minha alma pelo demos e eu aqui estiver a mentir - ora, estava a passá-la por uma águinha para não cheirar a naftalina, é que uma vez o diabo do médico, novo, da idade do pirralho da Alberta, ralhou-me por lhe cheirar a naftalina... já não há respeito nenhum pelas velhas. Bem, estava eu a passá-la por uma aguinha quando oiço um estrondo, um Sr. estrondo, enorme como se fosse uma bomba, eu sei lá, eu pensei que o mundo ía acabar, agarrei logo no meu terço, qu'isto de viver no século XXI parece-me que não será para muito mais tempo... - Mas e depois, e depois... Depois o céu começou a escurecer, como se o fogo do sol se tivesse apagado todo.

my sunny song today

Limb by limb and tooth by tooth
Tearing up inside of me.
Everyday, everyhour, wish that I was..
Was bullet proof

Wax me, mould me
Heat the pins and stab them in.
You have turned me into this, just wish that it..
Was bullet proof
So pay me money, and take a shot
Lead fill the hole in me.
I could burst a million bubbles, all surrogate..
and bullet proof
Bullet proof

Radiohead

Tralhas

Hoje é dia de birra. É dia de atirar com as coisas ao chão, dia para escrever textos em francês - mesmo não tendo capacidade para tal - é dia de riscar folhas de jornal e de comer pápa, dia de dar erros ortográficos e dizer "não quero, não quero, não quero". "Corrige os erros Maria." "Não, não e não." É dia de faltar às aulas. Fugir de casa. Comprar gomas e ir comê-las na praia. É dia de rasgar jornais e esconder os comandos da televisão. Hoje é dia para rasgar todas as minhas roupas e a seguir chorar - afinal eu sou uma rapariguinha que perde 5min por dia a mirar-se ao espelho. Sinto-me perdida numa feira popular gigante. Uma menina birrenta com lágrimas de crocodilo a lamber um pau quase vazio de algodão doce. E ao olhar para o céu, as nuvens garantem-me mais uma vez que hoje é mesmo dia de birra. Tudo tem um significado, mas eu não percebo qual é o destes dias cinzentos. Queria muito ter sol. Queria muito não ter de aprender a tabuada e de poder passar os dias a fazer desenhos com giz num quadro negro. Desenhava todas as minhas birras lá e depois apagava-as. Desenhava todas as nuvens cinzentas e a seguir... apagava-as. Dás-me um apagador mágico? Oh, leva-me a passear no jardim então. Se preferires diz só que gostas de mim e pega-me ao colo. Está mesmo na hora de ir dormir. O meu coração está tão cheio com estas tralhas que sempre que bate todas as bicicletas do mundo começam a fazer um barulho esquisito.

C'Est Toujours La Même Histoire, C'Etait Une Histoire D'Amour

E se de repente a vossa vida fosse tomada por pequenos e peludos e queridos bichinhos sugadores? A mim aconteceu-me, e juro que foi sem querer! "É que os últimos dias têm sido um pesadelo, eu conto... eu conto... Sexta a gata entra em trabalho de parto (pois, agora tenho uma gata), tonta como ela é, não percebeu que iam nascer bebés (nós também não tínhamos percebido quando a aceitamos cá em casa, mas não tardou a tornar-se óbvio que aquela barriga redonda não poderia ser só prisão de ventre), andava a passear pela casa em vez de estar quietinha no seu lugar, e quando demos por ela, andava com um bebé a arrastar pelo chão, tivemos de ser nós a cortar o cordão umbilical porque o raio da gata estava mais assustada que eu e o Filipe juntos! Depois ela lá percebeu que aquela coisa branca e "gritante" até era querida e lá se aninhou com ele. Problema dois, a gata não tinha leite, depois de um rodopio lá fomos comprar leite para o bichinho, o Filipe passou a ser a mãe. Problema três, as horas passaram, a barriga da gata a borbulhar com gatinhos a querer sair e nada de contracções. Correria para o veterinário. Ou se fazia uma cesariana logo para salvar os bebés, ou esperava-se para ver no que aquilo dava. Cesariana. Nascem os outros 4, a mãe Filipe amamenta a bicharada enquanto a gata, completamente KO, recuperava. Lá a fomos buscar sexta à noite, completamente drogada, aos berros, cheia de dores, percebemos logo que tínhamos de ser nós a continuar a amamentar os bichos (ia ser uma noite interessante a acordar de duas em duas horas), resolvemos pintar com tinta uma bolinha de cor na cabeça dos gatinhos, para sabermos quem comeu e quem não (uma ninhada de cinco gatos iguaizinhos). De madrugada, a gata, mais calma, lá aceitou os "lagatinhos" ao pé dela, podíamos dormir finalmente. As coisas pareciam correr bem, mas depois algo estranho aconteceu. Problema quatro, os gatinhos estavam a ficar carecas, sim, carecas, pareciam uns frades com um círculo sem pelo na cabeça, a ideia da tinta não foi assim tão brilhante! Visita ao veterinário para ver se a família estava bem, os pontos, os leitões, quem é menina e menino (três gatos e duas gatas). Problema cinco, trazem amigos para casa, quando demos por isso, havia duas pulgas japonesas a fazer turismo nos pequenos. Tirando isso, pareciam estar a crescer bem, gordinhos, a devorar as maminhas da gata como uns leões, até que ontem, ao examinarmos melhor percebemos que algo não estava bem, problema seis. Um dos gatinhos (desconfiamos que o que nasceu primeiro, que esteve mais horas sem a mãe) está visivelmente mais pequeno, fraquinho, a pelagem ainda pouco desenvolvida e com problemas de respiração (e um olho super inchado, parece um daqueles peixes pretos que têm os olhos a sair para os lados). Ao que parece está constipado, e isso só traz problemas, tem dificuldade em respirar pelo nariz, fá-lo pela boca e por isso come muito pouco, ou nada. Além do mais como não tem olfacto não consegue encontrar as maminhas... Enfim... o que em tempos parecia uma coisa fantástica, a chegada dos leitões, revelou-se num pesadelo de problemas e consultas ao veterinário." (from an e-mail sent to Esquimó). E isto tem sido a minha vida, bolas de pelo a pedir mil atenções, e mesmo quando não pedem - ora - eu não me importo de dar!

A Billie está blue... eu também.

Resolvi limpar o pó aos velhinhos CD's, daquele tempo muito antigo em que eu tinha janelas abertas para ouvir os gatos dos visinhos. Billie Holiday acompanha-me agora na voz, enquanto eu a acompanho a ela. O teclado não é o do piano, mas tenta criar pequenas letras que vou juntando para formar palavras mais ou menos coloridas - a música, "all of me". Aos que quiserem ouvir este dueto, sentem-se por aí, aquele monte de livros parece-me confortável. Por onde começar? Parece que estou sempre a querer começar qualquer coisa que ainda não sei o que vai ser, mas vai ser bom, certamente, assim que começar! Numa conversa comentava que não tinha escrito nada, que não sabia quando voltaria a escrever e que o mundo é redondo e por isso mesmo muito difícil de uma pessoa se equilibrar em cima dele - não tenho as qualidades das focas, e ainda por cima tento equilibrar mil bolas no nariz. É para isso que o nariz serve não é? O mais estranho de tudo é que o céu ficou muito azul, um azul escuro sem brilho, um pouco como os blues, se bem que os blues têm estrelas, e o azul é mais brilhante, mas pronto... talvez não devessemos catalogar os azuis. Ai ai, só sei dizer parvoíces.

a rua das gavetas verdazuis

«quero dizer-te o quanto te amo... vem comigo meu amor, quero contar-te o quanto gosto de ti... de ti.» Artur, 31 anos, sonhador e tímido de nascença, vivia naquela rua desde sempre. Conhecido por todos como o filho da falecida Albertina, auxiliar de enfermagem desde os 23 anos, estimada por todos pela sua bondade sem fim, mas também pelos azares que tivera na vida, partilhados e derramados no ombro de grande parte dos moradores da rua. Artur, só desde que a mãe lhe falecera à 8 anos, por ali foi ficando, poucas as ambições e muitos os receios. Trabalha na livraria da rua, o Sr. Almeida tem um carinho especial por aquele rapaz, não fosse ele filho do seu grande amor. Viúvo e sem filhos dizem as bocas que a fortuna ficará para o órfão - o Artur - que muito amor tem pelos livros, homem de bom coração, é bem certo que o faça. A rua manteve-se igual muitos anos, mas desde que as centenárias começaram a cair como tordos muitas casas houve que ficaram para vender ou alugar, mal imaginava o Artur as reviravoltas que a morte das santinhas lhe haveriam de provocar na pacata vida de solteirão. Ela era jovem, tinha empregos incertos, desavenças com a família, e por voltas da vida ali foi parar também, nem queria acreditar na sorte que teve ao encontrar aquela casinha tão catita para alugar a um preço tão bom, a vida não está fácil, e para a Alice se manter muita era a ginástica financeira e a criatividade. Mudou-se para a antiga casa da D. Aninhas, mesmo em frente às janelas da casa herdada pelo Artur. Não tardou muito que o Artur descobrisse um novo passatempo, com as luzes apagadas e muito cuidado, passava grande parte do serão a espiar Alice. Aquela mulher causava-lhe grande curiosidade, passava as noites a ler livros, a dançar ou a pintar gavetas. Sim, perceberam bem, gavetas. Alice gostava de albergar em casa todo o tipo de mobiliário abandonado, por vezes, quando o mau estado do dito era tal, ela surripiava-lhe uma ou duas gavetas que trazia debaixo do braço para casa. Depois decorava-as com flores e cores e pendurava-as na parede. Artur habituou-se a espiá-la da janela todas as noites. Ela não sonhava na existência daquele personagem franzino, amante da leitura e de cigarros compridos. Ele, que dantes costumava ler livros de autores soviéticos, beber vinho tinto com os amigos que o visitavam com frequência, ouvir música de bandas nunca conhecidas, tertúlias inflamadas pela emoção de usar a palavra e que agora adiava esses encontros usando desculpas descabidas só para ficar a vê-la. Naquela primeira noite da loucura, Artur fechava o saco do lixo para o colocar na rua quando a ideia mais descabida lhe ocorreu. Olhou para os armários da sala e tirou uma gaveta, esvaziou-a e desceu as escadas. Ficou a espreitar pela janela. Viu-a parar junto ao seu saco do lixo e a levar a gaveta para casa. As semanas iam passando, da janela o Artur viu Alice construir a estante mais louca que poderia existir, uma parede cheia de gavetas despernadas e coloridas cheias de objectos renegados que ela ia acolhendo com paciência e amor. As semanas iam passando e a casa do Artur tornou-se num lugar caricato, todos os armários sem gavetas, todos os objectos colocados dentro de caixas de madeira da mercearia da D. Joaquina. Depois de muito adiar lá resolveu fazer as suas antigas reuniões, os amigos a entrar, as mesma perguntas sempre que abria a porta "que te aconteceu homem? roubaram-te as gavetas". Muitas piadas e desculpas feitas sobre o tema lá foi o Artur abrir a porta uma vez mais. Ali, diante da sua porta, a dois metros, Alice sorria-lhe "trouxe uma amiga desta vez, e mora mesmo aqui na rua!" disse um dos amigos de sempre. Corado, a sentir-se desfribilar lá os deixou entrar. Seis meses depois, Alice mudou-se para casa do Artur com as suas gavetas, que se mantiveram estante de parede. Alice trouxera para a vida do Artur a cor e alegria que lhe faltara durante anos. Ainda assim, Artur deixava-se ficar na soleira da porta a espreitar Alice sempre que esta se sentava a pintalgar o mundo de verde e azul.

Em termos autobiográficos: o que devo eu escrever sobre isto?

experiências que nos marcam para sempre. O primeiro beijo, o primeiro amor, aquela viagem das férias do Verão, o primeiro internamento hospitalar. Percebi que ate hoje eu me julgava eterna, quando pensava em mim imaginava que viveria eternamente, um eternamente com um fim algures, mas tão longe era esse fim que quase não o podia ver lá ao fundo, naquela curva final que a minha vida um dia iria fazer. Mas nada é para sempre (todos julgamos saber isso), vivemos num equilíbrio tão frágil e delicado que é assustador pensar nisso. Por isso não pensamos. A maior lição que eu aprendi com tudo isto é que não se devem deixar muitas coisas para amanhã. Eu sofria desse mal, adiar sempre tudo, há tanto tempo para as coisas... não, não nos iludamos, há que viver hoje todas as pequenas coisas que nos fazem felizes. Quero passear mais vezes à beira mar. Correr na areia. Andar de bicicleta! Estar com os amigos que adoro (mesmo sem saber explicar). Dizer-lhes o quanto gosto deles. Salvar animais em apuros e rir. ai ai, ao menos que o sol brilhe!

«O que é que aprendeste hoje?» «não deixar nada para amanhã... amanhã é longe de mais»

If I was a flower growing wild and free

All I'd want is you to be my sweet honey bee.

And if I was a tree growing tall and greeen

All I'd want is you to shade me and be my leaves

All I want is you, will you be my bride

Take me by the hand and stand by my side

All I want is you, will you stay with me?

Hold me in your arms and sway me like the sea.

If you were a river in the mountains tall,

The rumble of your water would be my call.

If you were the winter, I know I'd be the snow

Just as long as you were with me, let the cold winds blow

All I want is you, will you be my bride

Take me by the hand and stand by my side

All I want is you, will you stay with me?

Hold me in your arms and sway me like the sea.

If you were a wink, I'd be a nod

If you were a seed, well I'd be a pod.

If you were the floor, I'd wanna be the rug

And if you were a kiss, I know I'd be a hug

All I want is you, will you be my bride

Take me by the hand and stand by my side

All I want is you, will you stay with me?

Hold me in your arms and sway me like the sea.

If you were the wood, I'd be the fire.

If you were the love, I'd be the desire.

If you were a castle, I'd be your moat,

And if you were an ocean, I'd learn to float.

All I want is you, will you be my bride

Take me by the hand and stand by my side

All I want is you, will you stay with me?

Hold me in your arms and sway me like the sea.

Miss Modern Girl

Qual é o teu maior sonho? O que faz de ti uma rapariga diferente?

(levantando-se, puxando a pequena mini saia para baixo)

Sou feliz!

exercício 1 de dia 9-4-08

Foi como se um arrepio a tivesse acordado de um estado de sonolência induzida. O que tinha feito? O que iria fazer? O que esperavam que fizesse? Era um dia enevoado, o sol cinzento atravessava com dificuldade as persianas mal fechadas. Deitada na cama pensava em tudo. Se realmente fosse possível pensar em tudo, naquele momento era o que ela estaria a fazer. Tinha-se passado muito tempo desde a última vez que ouvira a sua própria voz. As horas não passavam de números amorfos que pingavam do relógio, e como muitas coisas antes dessa, a noção do tempo também já não tinha grande importância. O piano começou a tocar, era a única coisa que ainda a fazia sorrir, as aulas de piano no apartamento ao lado. Muitas vezes se esqueciam que ali vivia uma senhora sozinha. Uma senhora de cabelos brancos e sorriso gigante. Não a tinham visto muitas vezes nos últimos tempos, mas ninguém se preocupava muito pois achavam que eram excentricidades dos oitenta. O isolamento, o afastamento social. Houve quem dissesse que na última semana da sua vida, aquela que precedeu ao arrombamento da porta da entrada, a ouviam cantar músicas em francês, dizem que ela viveu muitos anos em França, os melhores da sua vida, dizem. Talvez por isso cantasse dias antes de morrer. O que eles não sabem, é que ela o fazia para afastar o medo que tinha de estar sozinha. Foi como se um arrepio a tivesse acordado de um estado de sonolência induzida por ela própria. O que tinha feito? O que iria fazer? O que esperavam que fizesse? A rapariga que vivia no mesmo prédio nutria um carinho especial por aquela senhora de cabelo platina. Também ela haveria de morrer um dia, mas naquela tarde, apesar das nuvens cinzentas, tirou as sandálias e desceu a rua em direcção à areia dourada. Nunca mais, pensou, vou esperar por momentos assim.

A música de hoje... e nem tanto, ou sim

A new royal family A wild nobility We are the family I feel beneath the white There is a redskin suffering From centuries of taming No method in our madness Just pride about our maner Antpeople are the warriors Antmusic is the banner! And even when youre healthy And your colour schemes delight Down below thos dandy clothes Youre just a shade too white Shade too white! Shade too white! I feel beneath the white There is a redskin suffering From centuries of taming...