afogar as minhas crenças

Cabra Paranóica, esse deveria ser o meu nome, assenta bem com as cores do meu casaco, combina bem com o tom de pele e tem a ver com o corte do meu cabelo. Vinho tinto, sardinhas e uma mesa aos quadradinhos, a Cabra Paranóica no centro de peito esticado a servir mentiras ao jantar - com espinhas para engasgar toda a gente. Unhas descascadas, sujas, unhas de ganso, bico de pato lambendo a loiça com fome de carinho, tudo por uma boa gota de humanidade - vá lá, deixem-me sentir qualquer coisa, uma molécula de ser humano.
Cabra Paranóica ao jantar, Cabra Paranóica ao almoço e a barriga a roncar de fome, de  sede de loucura - grito - a prisão da vida, da ignorância. A escuridão invade o mundo e os lobos preparam-se para a caça, peles de carneiro são lançadas no fogo para ofuscarem os olhares dos inocentes, ninguém vê, está tudo cego e todos rosnam e gemem e gritam como animais com cio, Cabra Paranóica não fala, é muda de nascença, os olhos reviram-se nas órbitas, não sabe o que fazer, a mesa aos quadradinhos parece uma mesa de xadrez e é a sua vez de jogar.