para aqueles que nunca acreditaram:

passei. (a carta já ca canta)

time out

preciso... preciso de privacidade.

Novamente viciada em Piaf.
Aborrecida.
Constrangida.
Vazia...

a Deus

...faça aí uns efeitos "especiaizitos" que isto do dia a dia não está com nada.

Digam-me...

E se eu me tivesse apaixonado pelo João Limão? As quantidade de jogos que poderia fazer com o seu nome! João Comilão, João Papão, João Ratão... (saudades desses outros tempos em que havia algures pessoas escondidas que gostavam de mim)

agora que terminei "Caim" devo dizer que me encontro "outonalmente" entristecida - esperava mais e melhor do Sr. Saramago

(o que não quer dizer que o livro não seja bom... mas perante outros que li, não tão brilhante)

navios pirata navegam-me o pensamento

Naquele tempo os dias eram passados na popa de um barco a brilhar ao sol. Bebia-se champanhe desde o amanhecer e os cabelos voavam ao vento enquanto cigarros queimavam em mãos pousadas. Conversava-se sem palavras, ouvindo somente o vento e o mar na sua eterna paixão a discursar longas histórias de navios e homens. Naquele tempo, os dias corriam devagar, a luz amarela entrava em todas as fotografias para roubar algum do protagonismo dessas gentes de outrora. Hoje, ao ver no mar os barcos que ainda restam, parecem espectros tristes e sem vida, réstia desse outro tempo em que o mar era a porta do mundo.

unhas que brilham ao sol não passam de disparates nas mãos de uma mulher

Hoje acordei tendo por companhia uma "depressãozinha" que me seguiu todo o dia. Lavei os dentes com ela a observar-me. Passei o tempo inteiro a tentar ignorá-la na esperança remota que ela desistisse e fosse embora. Não foi. Acompanhou-me como se fosse um fantasma calado e sem passado, branca e calma. Mais um dia outonal a dar-me cabo da cabeça e da paciência. Pudesse eu comprar um bilhete de avião e fugiria para as Índias, onde o céu, ainda que cinzento, é quente.

outono

Caetana nasceu num dia bonito de Outono, o sol morno e o mosto a fermentar nas pipas. Os seus grandes olhos cor de azeitona faziam lembrar as uvas da Amarela. À noite o pai foi encontra-la a chupar nas mamas da Amélia, que encantada segurava no seu primeiro rebento. Cresceu bonita, os cabelos claros da cor das pedras de calcário, serena como os ventos quentes do Verão. Cobiçavam-na os rapazes da aldeia que a queriam para mulher, mas dentro de si Caetana sabia que aquela vida era apenas um grão de areia na grande rocha que é mundo. (...)

Eu já tenho o meu!

prato do dia

Entrada
Agustina Bessa Luis 20 páginas (finais) de "A Sibila"

Prato Principal
José Saramago, "As Intermitências da Morte"

Sobremesa
Jorge Luis Borges "O Livro de Areia"

(com vinho branco ou verde)

Não há tempo...

e o tempo lembra-nos disso constantemente.

la fenêtre de ma tête

textos falados

constatação

Eu não gosto de pessoas disponíveis, gosto de pessoas impossíveis.

question mark

Hoje eu queria viver em Sintra. Sexta, eu desejava viver em Lisboa. De quantas vidas vou precisar para viver tudo isso?

anotações

Se houvesse palavras eu diria alguma coisa... mas hoje não há nada. Boa noite.

Fumo o meu primeiro cigarro com uma boquilha dourada

Sempre disse que se um dia fumasse seria com uma boquilha. Hoje, foi a concretização dessa premonição de adolescente, um namoro entre mim e essa coisa de fumar. Não, não tenciono iniciar um vício, mas todos sabemos como essas coisas são, dizemos sempre que não ao amor, ao café, ao sexo e a todas as coisas que seduzem e hoje é sexta feira, nada de interessante para fazer, um martini ao som de música latina, uma caipirinha para continuar e assim termina uma noite que nem chegou a começar, eu e a minha boquilha, as duas em silêncio na companhia uma da outra. Gosto do som que ela faz ao tocar-me nos dentes. Um som de marfim. Um som de outros tempos e de outras músicas, um som antigo que vem de lá longe tocar-me no outro e relembrar-me que o conheço. Vou perder-me em devaneios neste hipnotismo de virgem que experimenta o seu primeiro amante trémula e com medo, mas mesmo assim curiosa.

Este blog é um erro.

Obrigado por aqui chegarem, mas eu penso que deviam ir embora. Divirtam-se com outras coisas. Bem hajam.

Olhando para dentro com um copo de licor na mão e um cigarro pendente no lábio.

Se me perguntassem eu diria que estamos no Inverno.

Luísa (em construção)

Eu penso muito na avó Luísa. Para mim Luísa não é um nome de avó, mas é assim que ela se chama. É a única avó verdadeira que eu tenho, uma avó que era mãe da minha mãe, ainda que sempre me fizesse confusão isso das mães terem mães. Especialmente a avó Luísa, como poderia ela ser a mãe da minha mãe? A avó Luísa não tem nada ar de mãe, não gosta de cozinhar, e para ela as lides domésticas são um fardo difícil de suportar. Lá vai fazendo umas sopas, mas a contragosto.

A avó Luísa não é uma mulher bonita. Diria mesmo que não é uma velha bonita.
A avó Luísa parece uma estátua inacabada, como se o escultor tivesse desistido de carvar na rocha aquele rosto e assim ficou para sempre, um esquiço em pedra. É de uma rudeza belíssima. Um rosto embrutecido com olhos pequenos, um nariz estranho e uma boca fina. As linhas do rosto parecem zangar-se umas com as outras, um rosto que poderia bem ser um campo agreste por cultivar.

A avó Luísa não faz parte daquelas velhinhas que nos mostram os seus antiquíssimos retratos da juventude para nos provarem que em tempos eram belas, com as linhas clássicas de uma beleza que já não existe, a avó Luísa pelo contrário esconde todas as fotografias onde ela aparece, especialmente os retratos - a avó Luísa foi feia desde sempre. Lembro-me de colocarmos uma fotografia da avó Luísa na sala da família, foi num Natal qualquer em que se começou a dar importância aos antepassados. A avó ao ver aquilo tratou logo de esconder o retrato atrás da geração mais nova dos Carvalho.

Ela sabe que é feia, ainda assim tem o maior espelho da casa no seu quarto. A avó Luísa está muito velhinha. Conserva apenas a sua pele de pêssego, oferta de um Deus Criador a quem ela reza com devoção, pele que amacia com cremes de todas as marcas e cores. A avó Luísa tem apenas rugas na testa. Outra coisa característica da avó Luísa é o seu bigode. Uns pêlos pardos desbotados pelo tempo, mas em tempos, quando era uma rapariga nova que gostava de bailaricos, eram negros, a condizer com o cabelo e os olhos.

Hoje pintei as unhas de azul porque não havia amarelo.

Aliás, eu hoje pintei as unhas de azul pois o céu estava cinzento. Ai ai, pudesse eu saber um bocadinho mais do mundo.

Truman Capote - not the movie but the book

vinte e cinco euros

frases soltas numa manhã de Outubro, ligeiramente mais triste que todas as outras.

Parece ser ainda muito cedo. As coisas todas do mundo por fazer, ainda ninguém foi descer o sol e abrir as cortinas do céu azul. Todos desistiram e dormem enrolados nas suas mantas de pele de carneiro.