Lápis de carvão




Estamos em 2014. Há muitas coisas estranhas associadas a este número tão grande, mas a mais estranha de todas é talvez o facto de à primeira vista soar a futuro, e à segunda ser irrefutavelmente o nosso presente, vivemos agora, em 2014. Assim sendo, é compreensível este constante estado de confusão em que toda a gente parece encontrar-se - pairamos neste limbo de saudosismo pela ficção do Blade Runner, como se esperássemos que o agora fosse algo maior, e ao mesmo tempo estamos gratos por tudo, menos a guerra a fome e as doenças. Este ano, no futuro presente, vou fazer os meus 30 anos, e não espero grandes coisas de 2014; no entanto estou espectante com as mudanças que os trinta possam trazer-me. Tornar-me-ei de facto numa balzaquiana? Renegarei o amor e dedicar-me-ei a paixões fortuitas e aos prazeres carnais? Deixarei para trás os receios infantis dos vintes e ficarei adulta de repente? O que trará de novo?
Espero que um caderno em branco na alma, sem mágoas e sem marcas de lápis anteriores que tenham marcado as folhas.

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